Suzana Saldanha
"Diferentes sim, desiguais não". As bandeiras do feminismo foram levantadas com fervor na emissora de 1981 a 1983 por meio da alegre figura de Suzana Saldanha. Debatedora do Jornal do Almoço, ela ficou conhecida por não ter papas na língua em entrevistas sobre os mais diferentes temas, em especial com celebridades. Um dos encontros mais famosos foi em setembro de 1981, quando Elis Regina estava em Porto Alegre para aquele que seria o último show em sua cidade natal, na turnê Trem Azul. Sabatinada por Suzana, Maria do Carmo e Carlos Urbim, a pimentinha falou por quase 10 minutos sobre temas polêmicos e também respondeu às críticas de que rejeitava sua origem gaúcha.
_ Saí de Porto Alegre para cantar, não para fundar um CTG.
Na memória, Suzana guarda ainda outra entrevista ao vivo com a então esposa de Roberto Carlos, Miriam Rios.
_ Como tu suportas ter uma casa toda azul? _ questionou.
Hoje, aos 66 anos, Suzana dá risada do ocorrido, mas admite que a pergunta soou indelicada. A breve passagem pela TV terminou por conta de uma paixão maior, o teatro. Professora e atriz de formação, rodou parte do Brasil com a peça O Analista de Bagé até chegar ao Rio de Janeiro em 1984. Por lá, fixou residência e passou a lecionar interpretação na UFRJ, onde se aposentou há 16 anos.
Desde então, fez uma participação na novela Viver a Vida, no papel de Dona Marlene, e atuou em produções do projeto Histórias Curtas, como Contos de Inverno e Paris ou Rubis. Atualmente, Suzana se divide entre o RS e o Rio e se dedica a adaptar a obra Quem Pensas Tu Que Eu Sou, de Abrão Slavutsky, para um monólogo. Está em cartaz, no Rio, com a peça Rotas Alteradas, de Marta Góes, na qual interpreta a presidente Dilma.
_ Ainda sou reconhecida com elogios como: "Nunca esqueci tua voz" ou "Minha noiva morria de ciúmes do teu sorriso", frase que já ouvi de um taxista _ conta Suzana, divertida.
Liliana Reid
"Corra, sorria, faça e aconteça, prepara a cabeça que o mundo vai entrar, fique atento, neste momento, junte a sua turma pro Clubinho começar." O jingle criado por Hermes Aquino abria cada uma das três edições do Clubinho, programa que a TV Gaúcha estreou em 8 de agosto de 1977 para o público infantil. Tendo uma casinha por cenário e um auditório pequeno, a atração era apresentada por Liliana Reid. Ao vivo, a jornalista lia cartas de espectadores, promovia brincadeiras e conduzia atividades de arte, apresentações de música, danças e teatro, com direito até a um "Bom dia, amiguinhos" no início de cada atração.
_ Fui precursora da Xuxa _ brinca Liliana, 60 anos, nascida na Argentina e brasileira de coração.
Mãe de Bruna, 34 anos, e Cristiano, 32, Liliana ficou no ar até 1978, quando a primogênita nasceu. Depois, transferiu-se para a TV Guaíba, na qual seguiu até 1983. A família toda se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar na área de eventos, em que permanece até hoje. Em 1992, chegou a passar o ano na Espanha organizando o estande do Brasil na Exposição Universal de Sevilha. No total, foram 15 anos no Rio, até que voltou em 1997 para a RBS, mas não em frente às câmeras, e sim nos bastidores, na área de Promoções e Eventos.
Apaixonada pela Serra, Liliana se mudou para Canela em 2000. Lá, trabalhou no Convention Bureau. De 2002 a 2004, foi secretária de Turismo da cidade. Na sequência, abriu uma loja de artigos turísticos e gastronomia típica da Serra. Atualmente, dedica-se a projetos relacionados a Terceiro Setor e Meio Ambiente, entre outros. Como se vê, Liliana não descansa um minuto:
_ Aposentadoria é um direito de quem trabalhou a vida inteira, mas não penso em parar de trabalhar. Não combina comigo. Estou sempre criando e imaginando o que fazer.
Zora Yonara
Uma das grandes emoções de 2012 Zora Yonara não previu. E foi, justamente, segundo ela, lembrar de histórias da juventude por telefone com Zero Hora no último dia 29 de novembro. Apaixonada pelo Rio Grande do Sul, a astróloga capixaba que atuou na TV Gaúcha de 1974 a 1980 mora no Rio de Janeiro, mas diz se considerar gaúcha de coração:
_ Não vim inteira do Sul. Um pedaço da minha alma ficou aí. Se eu morrer no Sul, vou morrer feliz.
A estreia na carreira foi por acaso. Zora, que até então atendia por Creusa, seu nome verdadeiro, saiu do Espírito Santo para fazer teste de atriz na Rádio Globo. Foi aprovada para a radionovela Minha Vida É Assim. Um dia, o astrólogo Joe Ramath não foi trabalhar e, de repente, lá estava ela lendo o texto do colega. O tom otimista das previsões, combinado à voz marcante de Zora, fez sucesso, e a jovem passou a estudar o assunto por conta própria.
Zora faz amistério sobre a idade ("O que atrapalha o ser humano é isso de contar o tempo", diz). Mas faz questão de ressaltar que começou a trabalhar muito cedo, com 13 anos, em Vitória, e que não pretende parar. Adora o que faz e diz que seu objetivo é levar alegria para as pessoas.
_ Todos temos períodos bons e ruins, mas eu nunca digo que vem maré de azar para ninguém. Foco que logo vai melhorar. Digo que é para os nativos de tal signo não usarem roupas escuras, não dizerem palavrão ou não ficarem deprimidos. Aí, passa o período ruim, e a pessoa nem percebe.
A própria Zora sempre foi fã do preto, aliás. Era seu traje padrão para apresentação do bloco de astrologia no Jornal do Almoço, mas sempre compensava com xales coloridos. Naquela época, respondia a perguntas enviadas pelos telespectadores.
_ O ser humano é previsível: a rainha, você e o mendigo, todos só querem saber de saúde, amor e dinheiro _ resume Creusa Carosella, que atualmente trabalha na Rádio Globo.
Maria do Carmo
Ela foi, durante muitos anos, o rosto mais conhecido da televisão gaúcha. Símbolo da presença feminina no vídeo, a comunicadora Maria do Carmo Teixeira Bueno tem sua história marcada pela passagem de 18 anos no Jornal do Almoço. Jornalista diplomada em 1972 pela PUCRS, começou a carreira na RBS TV em 1976, no quadro de Variedades do telejornal. A apresentadora nascida em Santa Bárbara do Sul, que tinha como marca o largo sorriso, não demorou a ficou popular.
_ Minha passagem pela TV foi muito marcante. Todo o meu crescimento profissional foi dentro desta casa. E até hoje o público ainda me pede para voltar _ conta a jornalista.
Hoje, aos 64 anos, Maria do Carmo continua se dedicando à comunicação: ela comanda o Guaíba Revista, na Rádio Guaíba, de segunda a sexta, das 14h às 16h. A vida política, nos oito anos em que atuou como deputada estadual, é página virada. O trabalho legislativo, afirma, tem muitos vícios de origem.
_ A morosidade me incomodava. Tenho o perfil mais do Executivo, das ações _ diz a jornalista, que chegou a concorrer a vice-governadora na chapa de Nelson Marchezan, em 1990, e para a prefeitura de Porto Alegre, em 1996.
Casada com Carlos Armando Garcia, com dois enteados e um neto de três anos que é o xodó da família, Maria do Carmo há muito deixou de ser workaholic. À época do Jornal do Almoço, trabalhava também na TVE, tocava a loja de roupas femininas MC Mulher ("Sou apaixonada por moda até hoje", diz) e admistrava um escritório de representações.
Ao deixar a Assembleia Legislativa, trabalhou de 2003 a 2004 na TV Band, seguindo para a Ulbra TV como diretora de jornalismo, onde ficou até 2009.
_ Tudo na vida são fases. A TV foi uma maravilhosa.













