A temporada foi pródiga de boas exposições em Porto Alegre. A Fundação Iberê Camargo e o Santander Cultural foram os responsáveis pelas mostras mais vistosas de 2012 na Capital. No saldo final, a cidade pode comemorar: tanto a arte moderna quanto a contemporânea estiveram bem representados por aqui – e isso que nem foi ano de Bienal do Mercosul.
O barroco Miguel Rio Branco (foto no alto): Único nome nacional a integrar a prestigiosa agência fotográfica Magnum, Miguel Rio Branco explora também as possibilidades da imagem em filmes, vídeos e instalações. A exposição Ponto Cego reuniu, no Santander Cultural, 110 trabalhos do artista que registrou com seu olhar barroco a miséria e a dignidade dos cortiços e prostíbulos no Pelourinho, em Salvador, antes da revitalização da área. Cocurador ao lado de Paulo Herkenhoff, Rio Branco veio para a abertura da mostra.

Amores de Leonilson: Eleita pela revista Artforum como uma das melhores exposições do mundo em 2012, a mostra Leonilson – Sob o Peso dos meu Amores foi a maior retrospectiva já montada desse nome fundamental da arte contemporânea. A Fundação Iberê Camargo expôs 361 obras de Leonilson (1957 – 1993) – incluindo pinturas, bordados, desenhos e instalações.

Dores de Botero: Fernando Botero é um dos artistas mais populares do mundo, graças aos personagens rechonchudos que povoam seus quadros de estilo inconfundível. A figuração rotunda característica do colombiano marcou também a exposição exibida neste ano no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo – mas Dores da Colômbia mostrou um lado mais sombrio e crítico da arte de Botero, que denunciou em pinturas e desenhos a violência política e do narcotráfico em seu país.

A volta de Anico: Há 12 anos sem realizar uma individual com trabalhos inéditos, Anico Herskovits voltou às exposições ocupando um lugar inusual nesse circuito: o saguão do Hospital Santa Rita. Referência entre os gravuristas no Estado, a uruguaia radicada em Porto Alegre apresentou em Olhares Sobre a Santa Casa uma série de xilogravuras que registram as dores, as alegrias e os dramas do cotidiano dentro das paredes do complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórdia – onde a artista circulou por cinco meses.
Destaque dos leitores: Em enquete no site do Segundo Caderno, os leitores elegeram a exposição individual de Anico Herskovits no Hospital Santa Rita como a de maior destaque de 2012. Com 53% dos votos, as xilogravuras da artista conquistaram a preferência do público. Já Rubem Grilo no Museu do Trabalho levou 35% dos votos. A retrospectiva de Arthur Bispo do Rosário no Santander Cultural com cerca de 240 trabalhos foi a escolhida por 4,8% dos leitores.

Bispo do Rosário por um fio: Presente na última Bienal de Lyon, na França, e homenageado da atual 30ª Bienal de São Paulo, Arthur Bispo do Rosário (1909 – 1989) teve 240 de seus trabalhos expostos no Santander Cultural. Bispo do Rosário – A Poesia do Fio evidenciou a impressionante potência poética da obra do artista, que transformava em arte os objetos e materiais que encontrava no manicômio onde passou grande parte da vida.

Mistérios de Waltercio: O carioca Waltercio Caldas é um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea brasileira. O artista de 65 anos ganhou uma ampla retrospectiva na Fundação Iberê Camargo: foram 87 trabalhos, entre objetos, instalações e desenhos. O Ar Mais Próximo e Outras Matérias exibiu a produção de um criador que desde o início dos anos 1960 instiga o espectador a questionar os mistérios da obra que observa.

Morandi essencial: O pintor e gravador italiano Giorgio Morandi (1890 – 1964) buscou obsessivamente a depuração em sua arte, reduzindo ao essencial seu repertório temático e sua paleta de cores. Em cartaz na Fundação Iberê Camargo, até fevereiro de 2013, a excelente retrospectiva Giorgio Morandi no Brasil prova em 40 pinturas e 15 gravuras por que o bolonhês foi um dos mais influentes nomes da arte no século 20 com suas naturezas-mortas.

Julio Plaza e sua poesia para ver: Pioneiro da arte tecnológica no Brasil, o espanhol Julio Plaza (1938 – 2003) destacou-se também por trabalhos em parceria com o poeta concreto Augusto de Campos. Julio Plaza – Construções Poéticas exibiu na sede da Fundação Vera Chaves Barcellos em Viamão uma cuidadosa seleção de pinturas, gravuras, arte postal, esculturas, hologramas e poesias manipuláveis do artista, teórico e professor.

Inutilidades de Grilo: Espaço privilegiado para a arte gráfica e urbana na Capital, o Museu do Trabalho trouxe uma ótima retrospectiva de um mestre da xilogravura: Rubem Grilo. As 174 peças de Xilogravuras – Ferramentas, Objetos Imaturos, Aparelhos de Precisão e Outras Inutilidades estabeleceram um interessante diálogo entre os objetos imaginados por Grilo e as máquinas do acervo permanente do museu.

Margs heterodoxo: Dando seguimento à linha curatorial adotada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul desde que Gaudêncio Fidelis assumiu a direção da instituição, o rico acervo do mais importante museu do Estado tem vindo à luz em exposições coletivas que reúnem centenas de obras e artistas. Alternando-se na curadoria com o historiador de arte José Francisco Alves, Fidelis vem propondo leituras da coleção do Margs que deixam de lado parâmetros usuais como cronologia, estilo ou procedência em favor de abordagens transversais norteadas por propostas heterodoxas – como olhar para a alteridade na arte (caso da exposição Alien: Manifestações do Disforme), colocar obras de arte ao lado de objetos feitos por presidiários (em Economia da Montagem) e celebrar a primazia da cor (em Cromomuseu, na foto acima, ainda em cartaz).













