Opinião26/12/2012 | 17h01

"O Impossível" recria tsunami que atingiu a Ásia em 2004

Tragédia coletiva emoldura drama familiar em filme que mistura mistério e suspense

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"O Impossível" recria tsunami que atingiu a Ásia em 2004 divulgação/divulgação
Tom Holland e Naomi Watts interpretam os sobreviventes Foto: divulgação / divulgação

O terrível tsunami que matou milhares e devastou o sul da Ásia em 26 de dezembro de 2004 é a tragédia coletiva que emoldura os dramas individuais dos filmes O Impossível (2012), de Juan Antonio Bayona, e Além da Vida (2010), de Clint Eastwood. Ambas as produções se esmeram em recriar com realismo na tela a fúria incontrolável e devastadora das águas que avançaram terra adentro, arrastando prédios, veículos e pessoas como se fossem feitos de papel.

Apesar do ponto de partida comum, os longas tomam caminhos distintos depois do cataclismo: no decorrer da história de viés kardecista do americano Eastwood, o acidente insinua uma espécie de predestinação que desperta os espíritos dos personagens; já no título do espanhol Bayona, em cartaz na Capital, o desastre traz à tona a capacidade humana de superar os limites físicos em nome da sobrevivência.

O Impossível não deixa, entretanto, de flertar com o mistério: o diretor e o roteirista Sergio G. Sánchez – dupla que despontou com o terror O Orfanato (2007) – pontuam as cenas que antecipam a chegada da onda destruidora com inserções de imagens e sons perturbadores, instaurando uma nuvem de mau augúrio nas aprazíveis férias do casal Henry (Ewan McGregor) e Maria (Naomi Watts) e seus três filhos pequenos em um paradisíaco resort na Tailândia. O tom vagamente sobrenatural, porém, dissipa-se quando o vagalhão que varre o hotel separa a família: a partir daí, o registro de O Impossível concentra-se no melodrama e no suspense para mostrar os destinos desgarrados desses turistas sobreviventes.

Se por vezes a narrativa é levada pela correnteza sentimental, exagerando o tom lacrimoso de algumas sequências, é elogiável a maneira como Bayona valoriza a estética do cinema documentário nessa dramatização de uma história verídica – inclusive na sequência de 10 minutos do tsunami, rodada em um gigantesco tanque na Espanha e que mistura várias técnicas, como miniaturas, composição digital e imagens reais. O grande trunfo de O Impossível, no entanto, está no elenco: Ewan McGregor e, principalmente, Naomi Watts estão excelentes como pais que encaram um desafio titânico para reunir novamente seus entes queridos – enfrentando privações, o caos da carência de informações e de atendimento médico e a ameaça constante da morte.

O jovem Tom Holland no papel de Lucas, o corajoso filho mais velho que ajuda a mãe ferida a buscar socorro, também merece destaque nesse filme-catástrofe que, na verdade, é uma parábola sobre a força inquebrantável do laço familiar.

O Impossível
(The Impossible)
De Juan Antonio Bayona. Com Naomi Watts, Ewan McGregor e Tom Holland.
Drama, Espanha, 2012. Duração: 114 minutos. Classificação: 12 anos.
Em cartaz no circuito.
Cotação: 3 de 5

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