De volta à Terra Média13/12/2012 | 18h29

'O Hobbit' entra em cartaz tentando repetir o sucesso da saga 'O Senhor dos Anéis'

Nova trilogia do diretor Peter Jackson adapta primeiro sucesso do cultuado escritor J. R. R Tolkien

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'O Hobbit' entra em cartaz tentando repetir o sucesso da saga 'O Senhor dos Anéis' Warner Bros. Pictures/Divulgação/WARNER BROS
Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação / WARNER BROS

Produções grandiososas como O Hobbit — Uma Jornada Inesperada só saem do papel com a certeza de o retorno das bilheterias ser astronômico, de preferência na casa do bilhão de dólares, que é o atual parâmetro para medir o êxito de um blockbuster. Para isso, este tipo de filme precisam agradar tanto aos poucos que sabem apontar no mapa cada recanto da Terra Média imaginada pelo cultuado escritor J. R. R. Tolkien quanto aos muitos que não sabem a diferença entre um orc e um troll.

Em cartaz a partir desta sexta-feira, O Hobbit chega sob a imensa expectativa de dar continuidade à muito bem-sucedida transposição para o cinema da trilogia O Senhor dos Anéis. Com ela, o cineasta neozelandês Peter Jackson conseguiu  o feito de agradar aos fãs de Tolkien, aos críticos e às grandes plateias. Obteve ainda um raro reconhecimento da Academia de Hollywood ao gênero: o desfecho da saga, O Retorno do Rei (2003), ganhou 11 Oscar, incluindo os de melhor filme e direção – e igualando o recorde de conquistas de Ben-Hur e Titanic. No total, a trilogia somou 17 estatuetas e arrecadou quase US$ 3 bilhões apeas nos cinemas — números superlativos reforçados  pelos lançamentos em DVD e Blu-ray e a vasta gama de produtos licenciados.   

Mas se O Senhor dos Anéis virou trilogia porque eram três os livros de Tolkien a adaptar, por que razão O Hobbit, lançado em 1937 em apenas um tomo, que funciona como prólogo para crianças à complexa narrativa que consagraria o autor britânico nos anos de 1954 e 1955, virou também uma trilogia? Eis a controversa questão que vem sendo debatida pelos admiradores de Tolkien e Jackson — e que agora, diante do filme, não é plenamente respondida.

Se em O Senhor dos Anéis Jackson encarou o desafio de sintetizar o triplo calhamaço, a percepção que se tem diante de O Hobbit é, ao contrário, a de que o diretor estica a trama de um livro só em demasia. Em quase três horas de duração, dá conta de apenas parte dela. Além do fator mercadológico de prolongar faturamento com os filmes que virão em 2013 e 2014, percebe-se que Jackson, em O Hobbit, procurou interligar de forma mais efetiva as duas obras — inserindo, por exemplo, personagens vistos apenas em O Senhor dos Anéis, como a elfa Galadriel, o mago Saruman e o hobbit Frodo Bolseiro.   

O protagonista da trama é o pequenino hobbit Bilbo Bolseiro (papel de Martin Freeman), que a horas tantas vai tomar posse do poderoso anel que, 60 anos depois, será a razão da grande aventura vivida por seu sobrinho, Frodo em O Senhor dos Anéis. Bilbo embarca na jornada convocado pelo mago Gandalf (o sempre ótimo Ian McKellen), que ajuda um grupo de 13 corajosos anões que tentam recuperar seu antigo reino, tomado por um dragão. A turma segue viagem vencendo inúmeros perigosos e travando batalhas épicas contra criaturas fantásticas.

O visual que reproduz o universo de Tolkien, combinando os cenários naturais da Nova Zelândia com os avanços tecnológicos que o próprio Jackson ajudou a desenvolver na última década, segue arrebatador. A versão do filme vista por Zero Hora foi a convencional. O Hobbit está disponível também em cópias 3D. Mas o ganho real, o que deve justificar o valo maior do ingresso, está na versão 3D projetada a 48 quadros por segundo (esse é o primeiro filme apresentado neste formato), que promete uma qualidade de imagem e uma imersão no cenário de forma hiper-realista, como nunca antes vistas e sentidas no cinema. Apenas uma sala de Porto Alegre exibe O Hobbit nesse sistema (a sala 2 do Cinemark Barra Shoppping).

Talvez a novidade tenha efeito positivo na percepção final sobre as longas horas que Bilbo e companhia levam para enxergar no horizonte a tal Terra Prometida dos pequeninos. Para os muito fãs de Tolkien, a espera pelo resto da caminhada dá início à contagem regressiva. Aos menos entusiasmados, esse primeiro e lento avanço da tropa, embora renda momentos de empolgante diversão, pode terminar com um bocejo ao esticar das pernas.

Jackson, porém, não parece no caminho de repetir o equívoco de George Lucas com a saga estelar Guerra nas Estrelas, que, após três clássicos que figuram no topo das grandes criações da cultura pop no século 20, ganhou uma nova trilogia (também contando episódios ocorridos anos antes) bem ruinzinha. Em O Hobbit, Jackson pode pecar pelo excesso de ambição criativa — e o estúdio que o banca, a MGM, que esteve recentemente à beira da falência, pela ganância —, mas com ele, sobretudo por seu respeito à obra de Tolkien, o gigantesco projeto não parece correr o risco de naufragar. Mesmo que não alcance o sucesso e o reconhecimento de O Senhor dos Anéis.

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