Quem provou do caldo que fervia no caldeirão da cultura pop na década de 1960 distinguiu facilmente uma pitada de curry. O forte tempero indiano, que conquistou dos Beatles a John Coltrane, foi espalhado pelas mãos habilidosas de Ravi Shankar com seu sitar. Responsável por popularizar o tradicional instrumento oriental na música ocidental, Shankar morreu na última terça-feira, aos 92 anos, na Califórnia.
Filho de família abastada, começou cedo a estudar a música e a dança indiana. Na década de 1950, viajou com a companhia artística do irmão para apresentações na Europa e nos EUA, onde acabou se estabelecendo na década de 1960. Na época, conheceu o beatle George Harrison, que já havia demonstrado interesse pela música clássica indiana e viraria seu amigo e discípulo mais famoso.
Com o guitarrista da maior banda do mundo chancelando seu trabalho, Shankar tornou-se o embaixador oficial da música clássica indiana e uma das maiores autoridades do sitar. Graças a ele, o instrumento tornou-se popular entre os principais ícones do rock das décadas de 1960 e 1970, como o Grateful Dead, os Rolling Stones e, claro, os
Beatles. Sua influência foi tão grande que o saxofonista John Coltrane batizou o próprio filho de Ravi Coltrane, em homenagem ao mestre.
Em 1971, Shankar ajudou Harrison a organizar o pai de todos os festivais beneficentes, o Concerto para Bangladesh, que juntou 40 mil pessoas no Madison Square Garden, em Nova York. Nas décadas seguintes, trabalharia com o compositor norte-americano Phillip Glass e participaria de uma dezena de grandes produções de cinema – entre elas Gandhi (1982), filme que lhe rendeu um Oscar de melhor trilha sonora.
Shankar também ganhou três Grammy – e um quarto troféu será concedido na próxima cerimônia da premiação, em fevereiro de 2013, pelo conjunto de sua obra. Em 1999, recebeu a mais alta condecoração civil da Índia, o Bharat Ratna, e foi considerado pelo atual primeiro ministro indiano, Manmohan Singh, "um tesouro nacional".
Pai da cantora Norah Jones e da instrumentista Anoushka Shankar, o lendário sitarista morreu depois de passar por uma cirurgia no coração.









