Obituário21/12/2012 | 23h53

Morre aos 66 anos a artista plástica pelotense Maria Lídia Magliani

Magliani sofreu uma parada cardíaca no Rio de Janeiro na noite desta sexta-feira

Enviar para um amigo
Morre aos 66 anos a artista plástica pelotense Maria Lídia Magliani José Doval/Agencia RBS
A artista plástica pelotense Maria Lídia Magliani, que morreu nesta sexta-feira, no Rio Foto: José Doval / Agencia RBS

Morreu na noite desta sexta-feira, no Rio de Janeiro, a artista plástica Maria Lídia dos Santos Magliani.

Natural de Pelotas, Magliani, como era conhecida, tinha 66 anos e estava radicada no Rio de Janeiro desde o final da década de 1990.

O velório será realizado a partir das 10h deste sábado, na capela oito do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. O enterro está previsto para as 14h.

Segundo o amigo e também artista Julio Castro, Magliani, que era cardiopata, foi internada na tarde de sexta com uma infecção na vesícula. Por volta das 20h30min, sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

Pintora e desenhista, Magliani formou-se em Artes Plásticas em 1966 pela Escola de Artes da UFRGS, onde estudou com Ado Malagoli. No mesmo ano, fez sua primeira exposição, de grande impacto no meio das artes visuais. Ao longo dos anos, firmou-se como uma das artistas gaúchas de maior alcance, por meio de um trabalho com forte engajamento feminista.

– Ela tem um fato que acho interessante ressaltar nessa hora: foi a primeira mulher negra a formar-se na antiga escola de artes da UFRGS – lembra o marchand Renato Rosa. – Sempre digo que Caio Fernando Abreu e a Maria Lídia Magliani são as estrelas de uma geração. Por um acaso da vida, ela foi uma das musas inspiradoras do Caio – lembra Rosa, sobre a amiga a quem o escritor gaúcho dedicou grande parte de sua obra.

Como ilustradora, Magliani fez trabalhos para veículos como Zero Hora, Folha da Manhã e O Estado de S. Paulo, além de ter criado capas de livro e cartazes. Em 1980, mudou-se para São Paulo, e anos mais tarde, para Minas Gerais, mas nunca deixou de retornar ao Rio Grande do Sul.

Em novembro, Magliani e Julio Castro expuseram trabalhos na Casa da Gravura, em Porto Alegre. Nos últimos anos, a artista trabalhou com Castro e outros artistas no bairro carioca de Santa Teresa.

Comentar esta matéria Comentários (3)

Ziza Dourado

Grande perda para as artes visuais! Fica a força de suas obras e a potencia de suas imagens! Ziza Dourado

23/12/2012 | 11h25 Denunciar

Ziza Dourado

Grande perda para as artes visuais!

23/12/2012 | 11h07 Denunciar

Ziza Dourado

Infelizmente não consegui, hoje, ir ao enterro desta grande artista, porque estou muito longe do Rio e não pude lhe prestar, pessoalmente, minha homenagem. Mas uma entrevista sua ao editor João Carlos Tiburski, na época da mostra ¿Auto-retrato dentro da jaula¿, no Museu de Artes do Rio Grande do Sul, em 1987, me lembrou exatamente o que pude perceber sobre ela na convivência de alguns poucos meses que tivemos em Cabo Frio, em 2006. Reproduzo parte desta entrevista como uma homenagem à sua forma de sentir e viver a arte e, principalmente, à sua resistência em permanecer artista: ¿Não separo a artista da pessoa. Sou toda um mesmo nó ¿ minha escolha é pintar, não saberia como ser de outro modo. Aparentemente fiz e faço muitas outras coisas, na verdade, todas partes de uma só, a pintura. Tudo o que quero neste momento é pintar e tenho dificuldade em compreender por que é preciso falar tanto sobre uma linguagem que não pertence ao mundo da palavra. Não entendo a necessidade da palavra autenticando ou explicando a imagem, uma linguagem dependendo de outra. Acho importante quando falam sobre o que o meu trabalho move em cada um, independentemente de sua cultura ou formação. Sou eu que estou querendo perguntar, não explicar. Não sou eu que tenho as respostas, mas talvez cada um de nós encontre a sua, desde que se ouça e continue se perguntando sempre. Prefiro ouvir, saber como os demais estão vendo e saber em que sentido ou medida estou acrescentando ou não. Meu idioma é a imagem, a forma, a procura de um alfabeto próprio através da cor. O que eu penso e elaboro está no meu trabalho, o que eu tentar decodificar é redundância. Minha palavra é minha música, minha dança está aí; se não está claro, é porque eu não soube passar ou os outros ainda não souberam ver. Faço a minha parte e quero que aqueles que passam a conviver com o resultado me mostrem de que modo os atinge, que apresentem suas próprias conclusões. Uma troca: teu olho ¿ minha mão.¿ (Boletim Informativo do MARGS, nº 32, jan/mar, 1987).

22/12/2012 | 19h54 Denunciar

Siga Segundo Caderno no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros