Itinerário cromático04/12/2012 | 17h02

Margs apresenta exposição sobre o lugar da cor nos museus

'Cromomuseu' será inaugurada nesta quinta-feira, em Porto Alegre

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Margs apresenta exposição sobre o lugar da cor nos museus Tadeu Vilani/Agencia RBS
'Moça', de Oscar Pereira da Silva, está na exposição Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

No início do século 19, museus europeus utilizavam cores nas paredes para ressaltar características dos quadros e provocar nos visitantes determinados sentimentos que, se acreditava, fossem universais.

O museu de paredes brancas, como o conhecemos, caracteriza a produção da modernidade.

>> GALERIA: veja mais obras da mostra

Quem faz a observação é Gaudêncio Fidelis, curador da exposição Cromomuseu, que será aberta nesta quinta-feira (6/12), às 19h, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), do qual Fidelis é diretor. A mostra ficará em cartaz até 31 de março de 2013.

Cromomuseu é uma revisão crítica da presença da cor na arte – não mais com o objetivo de provocar sentimentos universais. Assim como em exposições anteriores no Margs, é uma reflexão sobre a condição dos museus e seu lugar na contemporaneidade. São 223 obras de 147 artistas, a maioria brasileiros, do acervo do museu – ou seja, do século 19 até os tempos atuais.

O público sentirá a diferença à primeira vista. As paredes da Pinacoteca, o salão principal, foram pintadas com diversas cores, formando padrões abstratos. Em meio a eles, é possível identificar símbolos, bandeiras, letras e outras formas. A ambientação colorida remete ao universo dos videogames e aos pixels das imagens digitais. O objetivo, segundo Fidelis, é que as obras expostas saiam, simbolicamente, do ambiente asséptico do museu tradicional e sejam arremessadas em meio à cultura, interagindo com o contexto social.

– É uma exposição sobre o aparato museológico e sobre como ele altera nossa percepção, nossos sentimentos. O museu é um complexo aparato de formação de significados – diz Fidelis.

Seguindo o conceito de subverter o ambiente do museu, foi criada uma "galeria invertida". Trata-se de um espaço dentro da galeria João Fahrion no qual as obras estão expostas do avesso. Para ver a parte da frente dos quadros, é preciso fazer o contorno.

– Quando se realiza uma pesquisa aprofundada, a parte de trás da obra é tão importante quanto a da frente. Observa-se a parte de trás para verificar a autenticidade, por exemplo. Da forma como as obras estão expostas, também é possível ver melhor como as molduras funcionam – explica Fidelis.



Obra sem título de Carlos de Britto Velho
Foto: Tadeu Vilani

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