No início do século 19, museus europeus utilizavam cores nas paredes para ressaltar características dos quadros e provocar nos visitantes determinados sentimentos que, se acreditava, fossem universais.
O museu de paredes brancas, como o conhecemos, caracteriza a produção da modernidade.
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Quem faz a observação é Gaudêncio Fidelis, curador da exposição Cromomuseu, que será aberta nesta quinta-feira (6/12), às 19h, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), do qual Fidelis é diretor. A mostra ficará em cartaz até 31 de março de 2013.
Cromomuseu é uma revisão crítica da presença da cor na arte – não mais com o objetivo de provocar sentimentos universais. Assim como em exposições anteriores no Margs, é uma reflexão sobre a condição dos museus e seu lugar na contemporaneidade. São 223 obras de 147 artistas, a maioria brasileiros, do acervo do museu – ou seja, do século 19 até os tempos atuais.
O público sentirá a diferença à primeira vista. As paredes da Pinacoteca, o salão principal, foram pintadas com diversas cores, formando padrões abstratos. Em meio a eles, é possível identificar símbolos, bandeiras, letras e outras formas. A ambientação colorida remete ao universo dos videogames e aos pixels das imagens digitais. O objetivo, segundo Fidelis, é que as obras expostas saiam, simbolicamente, do ambiente asséptico do museu tradicional e sejam arremessadas em meio à cultura, interagindo com o contexto social.
– É uma exposição sobre o aparato museológico e sobre como ele altera nossa percepção, nossos sentimentos. O museu é um complexo aparato de formação de significados – diz Fidelis.
Seguindo o conceito de subverter o ambiente do museu, foi criada uma "galeria invertida". Trata-se de um espaço dentro da galeria João Fahrion no qual as obras estão expostas do avesso. Para ver a parte da frente dos quadros, é preciso fazer o contorno.
– Quando se realiza uma pesquisa aprofundada, a parte de trás da obra é tão importante quanto a da frente. Observa-se a parte de trás para verificar a autenticidade, por exemplo. Da forma como as obras estão expostas, também é possível ver melhor como as molduras funcionam – explica Fidelis.
Obra sem título de Carlos de Britto Velho
Foto: Tadeu Vilani













