The New York Times11/12/2012 | 06h19

Integrantes da Rumour voltam a se reunir para filme, albúm e turnê

Músicos retomam carreira com uma das bandas de apoio mais conhecidas da Grã-Bretanha

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Integrantes da Rumour voltam a se reunir para filme, albúm e turnê Nathaniel Brooks/NYTNS
Na foto, vocalista Graham Parker ensaia com sua antiga banda Foto: Nathaniel Brooks / NYTNS
Bruce Headlam


Tarrytown, Nova York – Recentemente o Tarrytown Music Hall vibrou enquanto o Rumour, uma das bandas de apoio mais conhecidas da Grã-Bretanha, tocou sua música de 1979, "Local Girls". A única coisa que faltou foi o vocalista Graham Parker, que, juntamente com a banda, definiu o som com um agudo perceptível e com um som carregado de ska da Londres dos anos 70, com músicas como "Don't Ask Me Questions", "Stick to Me" e "Discovering Japan".

Os cinco membros da banda, a maior parte com 60 e poucos anos, estavam se preparando para seu primeiro show com Parker desde 1980 para divulgar o novo álbum, "Three Chords Good" (Primary Wave). Mas a apenas quatro horas antes do show, ele ficou preso no trânsito.

Antes de Elvis Costello, Sex Pistols ou Clash, havia Graham Parker e o Rumour, que antecipou a energia do punk e estabeleceu o nível para letras inteligentes e elaboradas, combinadas com uma batida dançante. Críticos nos Estados Unidos compararam o impacto da banda ao de Bruce Springsteen, mas os consumidores não seguiram o exemplo, possivelmente por que não podiam trocar a emoção de Springsteen na estrada pelo desespero de Parker em uma viela sem saída inglesa.

Depois de cinco álbuns de estúdio e centenas de performances incendiárias nos palcos, a banda e o vocalista se separaram. Os membros do Rumour gradualmente se estabeleceram como músicos de estúdio, fabricantes de guitarras e, em um caso, bibliotecário.

Parker, porém, continuou a lançar músicas e se tornou, em suas palavras, um músico que trabalha, dirigindo o próprio carro de sua casa em Hudson Valley, Nova York, até os shows, geralmente fazendo solos e algumas vezes tocando com os Figgs, uma banda local popular.

Para o alívio de todos, Parker finalmente chegou. Vestindo jeans preto, tênis Nike e um pulôver, ele parecia, aos 62 anos, menos com o último dos "Angry Young Men", como ele já foi chamado uma vez, do que com um treinador de futebol gentil atrasado para o treino.

— Trânsito na 87 — disse ele, se desculpando.

A reunião do Rumour começou em abril passado com uma observação improvisada de Steve Goulding, o baterista – que Parker queria para seu álbum seguinte.

— Steve fez uma piada em um e-mail, dizendo que se juntássemos o resto dos caras, seria uma banda apropriada — disse Parker. — Eu não parei para pensar nisso, o que é uma coisa boa.

Se os membros da banda tivessem alguma dúvida, ela desapareceu pouquíssimo tempo depois, quando, por coincidência, o diretor Judd Apatow telefonou. Ele estava trabalhando em um filme novo chamado "This is 40", no qual um produtor de rock tenta ressuscitar a carreira de uma banda que já havia sido famosa. Será que Graham Parker e o Rumour poderiam fazer os papéis deles mesmos como estrelas do rock vencidas em busca de uma última chance?

— Eu estava tentando descobrir quem se apresentaria no filme e ser ótimo, e também estaria disposto a satirizar o estado da própria carreira e da indústria — disse Apatow, que é aquele raro fã que comprou todos os álbuns de Graham Parker durante os últimos 30 anos. — Mas eu estava com medo de perguntar a alguém.

A banda concordou, e Parker deixou de lado sua relutância britânica natural para considerar a possibilidade de que o filme, o álbum e a turnê de reunião finalmente dariam a ele e ao Rumour o reconhecimento apropriado.

— Pagamentos grandes, bem grandes, são sempre bons — disse ele. — Eu tive alguns bem legais, mas a maioria é de coisas que pingam daqui e dali.

Parker nasceu em Londres, mas cresceu em um vilarejo chamado Deepcut, no condado vizinho de Surrey, onde seu pai trabalhava colocando carvão na fornalha de um hospital. Aos 15 anos de idade ele anunciou que queria ser um naturalista como David Attenborough, sem ideia de que isso poderia requerer algo mais do que um diploma da escola técnica.

Em poucos anos, ele havia desenvolvido outra ambição: ser um pop-star.

— Eu não me via tocando em bares. Eu me via no Hammersmith Odeon — contou ele, ignorando o fato de nunca ter tocado profissionalmente e morar na casa dos pais com um emprego de frentista. — Eu tinha a missão de abrir a mente das pessoas. Eu era muito ingênuo.

Em Londres, em meados dos anos 70, Parker se misturou a um cenário de jovens desajeitados, a maioria de classe média, como Nick Lowe, Ian Dury, Dave Edmunds e, mais tarde, Elvis Costello e Joe Jackson, que queriam criar um som que combinasse todas as influências deles: Otis Redding, Bob Dylan, Van Morrison, Carl Perkins, Prince Buster e Levi Stubbs.

Ele fez uma fita demo que quase imediatamente lhe rendeu um empresário, que lhe apresentou aos músicos que se tornariam o Rumour: Brinsley Schwarz e Martin Belmont nas guitarras, Andrew Bodnar no baixo, Bob Andrews nos teclados e Goulding na bateria.

Em 1976, a banda lançou seu primeiro álbum influente, "Howlin' Wind", produzido por Lowe. Voltando a olhar através do prisma do punk e do new wave, é difícil ver quão radical o som deles soava.

— As pessoas ainda estavam descobrindo Uriah Heep e Pink Floyd — disse Parker. — Eu me lembro de ler sobre essas bandas que diziam ser punk no CBGB, enquanto na realidade eu estava tocando para pessoas que achavam que nós éramos alienígenas.

Quando o punk explodiu na Inglaterra, a banda respondeu lapidando o som no seu álbum mais amado, "Squeezing Out Sparks", de 1979.

A música era mais afiada, menos derivativa, e como compositor, Parker se desapegou de alguns prazeres e impasses dos jovens (camareiras de hotéis, médicas) em favor de músicas como "You Can't Be Too Strong", uma emocionante releitura de um aborto do ponto de vista de um garoto que começa com a frase "Did they tear it out with talons of steel?" ("Eles o arrancam com garras de aço?").

Mas, depois de mais um álbum, "The Up Escalator", de 1980, Parker se separou da banda. — Não foi fácil — contou. — Eu cheguei na banda e falei: 'Olha, eu acho que já fizemos o bastante. O que vamos fazer, continuar com as turnês e continuar a fazer álbuns? No momento, nós só estamos pregando para os convertidos'.

Parker passou os anos seguintes gravando discos ao estilo Rumour, mas com as buzinas sintetizadas e a reverberação de guitarra características dos anos 80. Conforme a década foi acabando, ele começou a experimentar arranjos mais acústicos e mais discretos em álbuns como "The Mona Lisa's Sister", "Struck by Lightning" e "12 Haunted Episodes", do qual os fãs se lembram como seu melhor trabalho.

Ele começou a levar o que ele chama de "uma vida modesta", em grande parte pelas turnês solo. Suas letras passaram novamente a focar a vida doméstica – ele estava casado e com uma família jovem.

— Somos como maníacos oscilantes — disse ele sobre suas composições. — Nós vivemos as nossas emoções. Ao mesmo tempo eu sou muito frio e observador, e me sinto um pouco de fora da vida. Eu saio dela e a observo. Eu posso senti-la, mas acho que poderia ser um bom pano de fundo para uma música.

Ele continuou a escrever letras de música e a produzir álbuns em gravadoras menores e independentes. Depois de lançar algumas músicas apenas na internet alguns anos atrás, ele começou a brincar em seus shows, dizendo que seu novo álbum seria "um cassete duplo somente disponível em lojas de produtos naturais".

A primeira música de seu novo álbum, um discurso retórico sobre os Estados Unidos, chamada "Snake Oil Capital of the World", é cantada em uma batida de reggae que poderia ter sido tirada diretamente de seus álbuns mais antigos. Ele retoma o tema do aborto, desta vez numa levada de violão chamada "Coathangers" e "A Lie Gets Half Way 'Round the World", que traz o tipo de ritmo que lembra os primeiros shows ao vivo da banda.

É uma coletânea que praticamente garante o interesse dos fãs, mesmo que não traga o tipo de pagamento que permitiria que ele finalmente parasse de fazer turnês e desistisse do processo doloroso de compor músicas.

— Eu adoraria pensar que eu posso parar de escrever porque sou um preguiçoso desgramado — confessou, tomando o último gole de água antes de subir ao palco para o ato final. — Mas daí eu olho para todo o meu trabalho e penso: 'Eu não sou assim tão preguiçoso, sou?'.

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