Polêmico em vida (basta lembrar a famosa "pedra no meio do caminho"), Drummond está no centro de uma pendenga alheia aos méritos de seu trabalho. Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62, livro publicado este ano pela Cosac Naify, recebeu o Prêmio Literário da Biblioteca Nacional – um certame voltado para autores vivos.
O prêmio, cuja relação de vencedores foi divulgada no dia 21 de dezembro, tecnicamente só aceita inscrições feitas pelo autor do livro, ou pela editora, desde que expressamente autorizada por escrito pelo próprio escritor. Organizado por Júlio Castañon Guimarães, Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62 é uma edição crítica que compila os 10 primeiros livros de Drummond. Na ficha de inscrição, o diretor-executivo da Cosac Naify, Bernardo Ajzenberg, aparece como "autor" da obra por ser "detentor dos direitos autorais" – algo que foi refutado pelo próprio Ajzenberg, que não é nem o autor dos poemas nem do trabalho de organização crítica.
A categoria "poesia" foi julgada por Carlito Azevedo, Leila Miccolis e Francisco Orban. Orban e Azevedo se manifestaram dizendo que a responsabilidade por garantir a legitimidade da inscrição da obra deveria ser da organização, não do júri. Em sua página pessoal no Facebook, Azevedo defendeu a decisão, depois de ressalvar que os próprios jurados questionaram a organização sobre se o livro de Drummond poderia concorrer.
"A resposta foi que sim, pois não se tratava simplesmente de mais uma nova reedição de suas poesias, mas sim a primeira edição crítica do poeta".
Em nota oficial, a Biblioteca Nacional anunciou que a homologação dos vencedores está suspensa até a análise dos recursos contra o prêmio, o que deve ocorrer nos primeiros dias de janeiro.













