Nunca antes na história deste Estado, em um único ano, tantos longas estrearam no circuito de exibição – aquele composto por salas de shopping, cinematecas e outros espaços que apresentam uma programação regular.
Foram 12 os filmes gaúchos a entrar em cartaz em 2012 – contra três em 2011 e superando o recorde de oito títulos registrados em 2010.
Houve de tudo: um filme sobre um bar (O Liberdade), outro de terror (Porto dos Mortos), um produzido dentro de uma universidade (Cinco Maneiras de Fechar os Olhos), duas cinebiografias documentais de artistas (Danúbio e Xico Stockinger), entre outros.
Tão interessante quanto constatar a diversidade da safra é procurar as justificativas para esta repentina efervescência. E entender que, apesar de tudo, o acesso do público à produção local segue restrito – apenas dois dos 12 títulos (Menos que Nada e Contos Gauchescos) cavaram um lugar nos shoppings; os demais foram exibidos somente nas salas do centro da Capital, nas quais somaram não mais do que algumas centenas de ingressos vendidos.
– Desde o fim do Prêmio RGE (em meados da década passada), os filmes foram sendo financiados com editais que contemplavam os projetos parcialmente – explica o diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), Luiz Alberto Cassol. – O governo gaúcho foi avisado, pelos produtores, de que havia muitas produções quase prontas, por isso lançou o 1º Edital para Finalização de Longas do RS.
Esse edital, que foi lançado no fim de 2011 e repartiu R$ 1,5 milhão entre 10 filmes, é o maior responsável pelo boom do cinema gaúcho em 2012. Mas não é o único.
– Há articulações provocadas pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) no sentido de incentivar produções regionais, e ainda um esforço para dividir de forma menos desigual, entre as regiões do país, os recursos de financiamento do cinema nacional – diz Cassol.
Há, também, as facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias. Hoje é difícil dizer quantos longas estão sendo produzidos no Rio Grande do Sul – vá que num canto do Estado alguém esteja usando uma câmera portátil para fazer um filme e nem Iecine e Fundacine (Fundação Cinema RS) saibam disso. É certo que pelo menos outros 13 longas gaúchos já foram filmados e agora estão sendo finalizados ou, em alguns casos, percorrendo festivais (Insônia, A Casa Elétrica e Dalua entre estes).
O grande problema, ao que parece, não é terminar os longas, e sim exibi-los. Para se ter uma ideia, dos seis títulos gaúchos que entraram em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim em 2012, o mais visto foi O Liberdade, com 445 ingressos vendidos em cinco semanas em cartaz (em apenas uma sessão diária). É pouco mesmo no restrito universo da cinemateca – onde foram vendidos cerca de 63 mil bilhetes durante o ano (para cem filmes), sendo 11 mil para sessões de longas nacionais (Xingu, o mais visto, teve 2,3 mil ingressos).
– Na Sala P.F. Gastal, o único que foi bem de público foi Porto dos Mortos – informa o programador Marcus Mello. – Mas a redução dos espectadores desse filme foi acentuada: só houve bastante gente de fato no primeiro fim de semana em cartaz. Longas como Referendo e Danúbio tiveram sessões bem esvaziadas.
Marcus cita os temas dessas produções para explicar a baixa frequência de público:
– Mesmo os personagens dos documentários despertam pouco interesse. Se fosse Elis Regina, Erico Verissimo ou mesmo Barão de Itararé, seria possível almejar maior popularidade. É louvável fazer filmes sobre Argus Montenegro e Octávio Dutra (Espia Só), mas não se pode esperar que eles mobilizem multidões.
SAIBA MAIS
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Longas gaúchos lançados em 2012*
* Filmes que tiveram sessões regulares em salas de cinema por pelo menos uma semana
> Porto dos Mortos, de Davi de Oliveira Pinheiro
> Contos Gauchescos, de Henrique de Freitas Lima
> Referendo, de Jaime Lerner
> Menos que Nada, de Carlos Gerbase
> Danúbio, de Henrique de Freitas Lima
> Alice Diz:, de Beto Rôa
> Espia Só, de Saturnino Rocha
> Xico Stockinger, de Frederico Mendina
> Argus Montenegro e a Instabilidade do Tempo Forte, de Pedro Isaias Lucas
> O Liberdade, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza
> Arena – A Construção de um Sonho, de Eduardo Muniz
> Cinco Maneiras de Fechar os Olhos, direção coletiva (alunos do curso de cinema da PUCRS)













