Tirar os livros das estantes para que encontrem leitores mundo afora é a proposta de três estudantes de Letras e Filosofia do norte do Estado. Motivados a praticar o desapego até com os títulos mais amados, eles criaram um ponto oficial do projeto BookCrossing em Passo Fundo.
A ideia surgiu na metade do ano, quando as acadêmicas de Letras Gabriela Martins, 20 anos, e Edynara Ribeiro, 19 anos, e o estudante de Filosofia Leonardo Biazus, 21 anos, da Universidade de Passo Fundo (UPF), descobriram o site do BookCrossing. Presente em 132 países e com 1,4 milhão de usuários, a rede social de leitura propõe a criação de uma "biblioteca mundial", na qual pessoas possam compartilhar obras com desconhecidos. Os participantes devem registrar um livro no site, colar uma etiqueta nele e então deixá-lo em um local público, à disposição de novos leitores. Quem encontrar a obra deve entrar no site e informar, usando o código da etiqueta, que está com ela. A ideia do cadastro é poder rastrear os livros e saber por onde eles viajaram.
Os três estudantes gaúchos contam que chegaram a duvidar de que o rastreamento dos livros pudesse mesmo funcionar na prática.
_ Cadastramos um livro como teste, e funcionou. Achamos a ideia genial. No site, vimos que a maioria das pessoas colabora informando que está com uma obra. O número de livros perdidos é muito pequeno _ afirma Gabriela.
O primeiro passo do trio foi pesquisar iniciativas parecidas no Brasil: o ponto inicial de BookCrossing do país foi criado em 2007, em São Paulo. Dois anos depois, a iniciativa chegou ao Rio Grande do Sul, por meio dos proprietários do Café Bonobo Valesca Kuhn, 33 anos, e Marcelo Kalil, 32, em Porto Alegre. Chamado no local de Livros Livres, o projeto segue em atividade.
Baseado em experiências como esta, o grupo de Passo Fundo buscou o apoio da UPF para criar um ponto na cidade. A proposta foi aceita pela diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Rosani Sgari, que trabalhou para colocar o projeto em prática. O segundo desafio dos alunos era conseguir um bom número de livros para iniciar o ponto. Além das doações pessoais, conseguiram contribuições de quase todos os professores do Instituto. O resultado foi estantes com cerca de 300 volumes para a noite de inauguração, em outubro.
_ Uma semana depois, o número de livros já havia diminuído. Ficamos muito contentes. As pessoas podem deixá-los em qualquer lugar, contanto que atraia novos leitores _ explica Gabriela.
A estudante lembra que, nos primeiros dias do projeto, ninguém sabia muito bem o que eram aquelas estantes espalhadas pelo Instituto. Muitos perguntavam como funcionava a devolução.
_ Não ter controle é o mais interessante da proposta. Você pode ficar o tempo que quiser com o livro e deixá-lo em qualquer lugar _ comenta Leonardo.
O plano agora é ampliar a rede de leitura com saraus itinerantes.
Como participar
Não é preciso ir a um ponto oficial do BookCrossing para participar do projeto. Qualquer pessoa, em qualquer país, pode ser um bookcrosser. Basta seguir três passos:
1)Leia:
O participante deve cadastrar-se no site www.bookcrossing.com e registrar um livro gratuitamente. Cada livro recebe um código único, chamado de ID. Para identificar a obra, é preciso colar uma etiqueta nele, disponível para impressão no site do projeto, com o ID e informações sobre o BookCrossing.
2) Liberte
Depois de registrado e identificado, o livro deve ser libertado em um local público, à disposição de novos leitores. Quem pegar um livro cadastrado no BookCrossing deve entrar no site do projeto e informar, através do ID, que está com ele. Depois de lido, o livro deve ser liberado novamente. A ideia é que as obras viajem.
3) Siga
Os participantes podem seguir os livros libertados por meio do ID. É possível saber por onde a obra viajou, onde está e quem a está lendo.
Como criar um ponto
Qualquer membro do BookCrossing pode criar um ponto oficial do projeto. Locais devem ser abertos ao público, ter uma prateleira ou estante com livros cadastrados e ser identificados com cartazes do movimento. Depois da escolha e da adaptação do local, é preciso entrar em contato com a equipe do BookCrossing Brasil para a divulgação do ponto. A lista de pontos oficiais e os contatos do projeto no país estão disponíveis no site www.bookcrossing.com.br.













