Pelotas em dois tempos15/11/2012 | 00h53

Publicação de Simões Lopes Neto sobre o centenário de Pelotas é relançada

Objetivo é homenagear os 200 anos da cidade com o relato de seu filho ilustre

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Publicação de Simões Lopes Neto sobre o centenário de Pelotas é relançada  Almanaque/Divulgação
Rua 15 de Novembro em imagem de 1912 Foto: Almanaque / Divulgação

Em 1912, quando completou o primeiro centenário, Pelotas ganhou uma revista, em estilo almanaque, de João Simões Lopes Neto, um de seus filhos mais ilustres.

Agora, para homenagear os 200 anos da cidade do sul do Estado, um grupo de pesquisadores repete a ideia e monta o Almanaque do Bicentenário. O volume inicial será pré-lançado no domingo e apresentado oficialmente na terça-feira.

Financiado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), este primeiro livro terá 336 páginas, sendo 118 destinadas a recuperar a obra de Simões Lopes. Peça raríssima – apenas dois colecionadores possuem o material –, o almanaque de 1912 será totalmente recuperado e pela primeira vez mostrado ao público. A tiragem de mil exemplares será encaminhada a bibliotecas, escolas e outros órgãos de acesso ao público. Além das imagens originais e do texto de Simões Lopes, o volume inicial terá participações do professor da Faculdade de Filosofia Luís Rubira, do pesquisador Adão Monquelat, escrevendo sobre o charqueador João Cardoso, e de outros conhecedores dos primórdios pelotenses.

– Impressiona mesmo a quantidade de fotografias e anúncios da época, que recuperamos graças ao trabalho de Guilherme Almeida. Pelos anúncios publicitários, cartões-postais e costumes, é possível notar que Pelotas era bastante vanguardista – comenta Rubira.

Ele se refere aos anúncios da Sociedade Protetora dos Animais, que já pregavam a defesa dos animais de forma bastante incisiva, e também aos critérios abolicionistas e republicanos de Simões Lopes para escolher os personagens citados no almanaque.

Ao todo, serão apresentadas ao público 212 imagens raras da Pelotas do século 19. Um trabalho iconográfico foi feito e recuperou nomes de ruas, comércios e localidades da época. A virtude está justamente no ineditismo do material, que tornará ainda mais fácil a compreensão deste importante período da história do Rio Grande do Sul.

– Entre as raridades, encontramos, em biblioteca da Suíça, cartões-postais de Pelotas escritos em francês – comenta Rubira.

Os próximos dois volumes terão o mesmo estilo do almanaque simoneano. Eles serão divididos em fascículos e contarão a história de 1912 a 2012. Na primeira parte, até 1962, haverá uma recuperação histórica e arquitetônica do município. A segunda apresentará um inventário crítico da chamada "perda e declínio arquitetônico" das últimas décadas. A ideia dos autores é concluir o material até o final de 2013. Além de um corpo de 30 colaboradores, o almanaque será escrito por conhecedores do estilo de Simões Lopes.

Orçados em cerca de R$ 600 mil, os três volumes terão apoio de empresas por meio de renúncia fiscal. O primeiro livro foi apoiado pela Josapar, o que deverá facilitar a obtenção da verba restante.

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