Há duas informações que você precisa saber sobre a Sinfonia nº 7, de Gustav Mahler (1860 – 1911), que será executada pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) nesta terça, às 20h30min, no Salão de Atos da UFRGS, com regência do americano Ira Levin.
A primeira é que ela ficou conhecida como a “sinfonia problemática” do compositor austríaco, pela suposta desarmonia de sua estrutura, em comparação com as outras nove que ele criou (uma delas inacabada).
Diversos elementos contribuem para essa constatação, a começar pelo contraste entre o primeiro e o quinto movimentos, de atmosfera esfuziante, e os três movimentos lúgubres do meio.
— Sua mensagem é menos direta do que nas primeiras três ou quatro sinfonias, que são mais fáceis de se entender. É difícil saber o que ele queria dizer com esta. A primeira impressão que várias pessoas têm ao ouvi-la é: “O que foi isso?” — afirma Levin, que atualmente vive em Berlim, regendo diferentes orquestras no mundo.
Mas há outro aspecto que você deve saber a respeito da Sinfonia nº 7: ela era admirada pelo visionário compositor Arnold Schoenberg (1874 – 1951). Parte do desentendimento sobre esta peça pode ser explicado pelo fato de estar, conforme Levin, à frente de seu tempo. Na sinfonia seguinte, a de número oito, o próprio Mahler recuaria em matéria de experimentação, segundo o maestro:
— A sétima sinfonia é a mais avançada que ele escreveu. Tem o vocabulário mais apurado de sua obra inteira. Harmonicamente, tem muitas dissonâncias. É a mais moderna de Mahler, em todos os aspectos, não tem quase nada de uma sinfonia no formato clássico.
Instrumentos pouco usuais em sinfonias estão presentes, expandindo as possibilidades da orquestra. Para dar conta disso, a Ospa contará com músicos convidados, como o bandolinista Elias Barboza e o violonista Paulo Inda. Será a primeira vez, na história, que a Ospa executará esta obra, que tem duração de 84 minutos — Mahler era adepto dos grandes formatos.
Levin foi diretor artístico do Theatro Municipal e da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (2002 a 2005) e da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília (2007 a 2010). Em nova visita ao país, afirma que ficou satisfeito em saber do andamento da obra da Sala Sinfônica da Ospa, com previsão de inauguração para 2014, e opina que o próximo passo seria a contratação de um regente titular, função inexistente na orquestra desde a saída de Isaac Karabtchevsky, em outubro de 2010.
— A orquestra tem um bom diretor artístico, o Tiago (Flores), mas está faltando um maestro que trabalhe com continuidade. Também precisa de divulgação nacional. Esta é uma das melhores orquestras do Brasil, com um potencial maior do que outras que são mais conhecidas.
Confira trecho de ensaio da Ospa sob regência de Ira Levin:













