Porto Alegre tem um novo encontro com a banda que sintetiza como nenhuma outra na história do rock elementos que seduzem, mais do que fãs, adoradores de diferentes gerações há quase 40 anos: diversão, carisma e uma fileira de hits contagiantes embalados por um espetáculo visual único.
O Kiss apresenta nesta quarta-feira à noite, no Gigantinho, a turnê de seu novo disco, Monster, lançado em outubro e recebido como um dos melhores trabalhos do grupo em anos – tanto que tem pelo menos cinco faixas no repertório que inclui hinos clássicos como Rock and Roll All Nite.
O baixista Gene Simmons e o guitarrista Paul Stanley, remanescentes da formação original, são os líderes da grande corporação de entretenimento que é o Kiss. Vivem sob o lema de que os devotos que fizerem deles figuraças famosas e milionárias devem ser retribuídos com uma festa inesquecível, a valer cada centavo gasto no ingresso. E costumam cumprir o trato.
A maquiagem está mais pesada para disfarçar as rugas, os enormes saltos se alargaram para aumentar a estabilidade, e as roupas de couro se esticaram.
O Kiss, no entanto, sobrevive firme e forte porque a identidade visual característica sempre foi um acessório, por certo vistoso e explosivo, ao que realmente é o motor criativo da banda: o rock'n'roll pegajoso tocado em volume máximo para celebrar os prazeres de uma vida embebida em testosterona.
Apesar da aparência, o Kiss nunca foi dado a frescuras. Por isso, é uma banda tão adorada por homens e mulheres, crianças e adultos, reverenciada por artistas de diferentes vertentes e imitada por aqueles que seguem fazendo do palco também um circo cênico e pirotécnico, de Lady Gaga aos mascarados do Slipknot.
O Kiss está na estrada não apenas ancorado no passado glorioso – o que já seria um deleite para seus fãs. Traz na bagagem um disco novo, Monster, melhor trabalho do grupo em anos, no qual retomou a sonoridade crua e pesada da década de 1970. Porto Alegre é a primeira parada da perna brasileira da turnê sul-americana, que segue depois para São Paulo e Rio.
O baixista Gene Simmons, 63 anos, e o guitarrista Paul Stanley, 60, fundadores da banda, têm no palco a companhia do guitarrista Tommy Thayer, 52, com eles desde 2002, e do baterista Eric Singer, 54, com mais de 20 anos de casa entre idas e vindas. O repertório desta turnê pouco tem variado, com o Kiss passando em revista seus grandes clássicos em meio a explosões, jorros de sangue e o melhor barulho para embalar jovens de diferentes idades que ainda acreditam que super-heróis mascarados tornam a vida mais feliz.
Simmons, que conduz a marca Kiss com tino empresarial digno de um Steve Jobs, costuma dar a real aos artistas que sobrevivem da adoração de seus fãs:
– Falta a habilidade de subir no palco e reinar, ser maior que a vida. Não há mais estrelas. Todos parecem lixeiros. Se vestem pior do que o público que vai assisti-los.
– Por isso, existimos há 40 anos. As pessoas sabem que o investimento vale a pena. Temos orgulho de ser animadores e somos uma tremenda banda de rock – complementa Stanley.













