Grandes mestres do desenho se reuniram na tarde desta quinta-feira na Sala Oeste do Santander Cultural para prestar homenagens a Canini, mais conhecido como o desenhista que abrasileirou o Zé Carioca. Edgar Vasques, Fraga, Lancast, Santiago, Luis Fernando Verissimo e o próprio Canini falaram sobre os personagens e a carreira do brilhante quadrinista, cartunista, ilustrador, caricaturista e chargista com mediação de Goida.
Seguem alguns depoimentos sobre Canini feitos durante o bate-papo:
– Sou fã do Canini, do seu traço fino, diferente e despojado – diz Luis Fernando Verissimo.
– Me encanta a versatilidade das expressões que ele usa. Com poucos traços fez uma caricatura magistral do Pelé – afirma Fraga.
– Ele não é um cartunista, é um ímã, além de ser exemplarmente modesto e humilde. Mas seu trabalho tem uma força tal que ele atrai pessoas do mundo todo, com uma capacidade de enxergar um humor sutil sem deixar de ser engraçado e desenhar com simplicidade. Simplicidade é um estado maior da perfeição – conta Edgar Vasques.
– Achava muito louco o desenho do Zé Carioca, era uma coisa que me fascinava aquele cenário das favelas do Rio - diz Lancast.
– Ele tem um olho pra enxergar o caricaturado que eu tenho ciúmes. Fiz uma página inteira com o Canini na Folha da Tarde, na edição de sábado. Ele fez um desenho do Pedro Simon maravilhoso: era um nariz, um beição e um cachimbo – conta Santiago, entre risadas do público que lotou a sala.
O próprio Canini também falou sobre sua vida e seus trabalhos.
– As pessoas me perguntam por que os meus desenhos são tão simples e eu respondo que é pra poupar nanquim. A cor negra tem muita força. Esse meu novo livro não é um livro de humor, tem um pouco de humorzinho só. Estou fazendo o que posso pra denunciar algumas situações, como a violência com os animais, o preconceito com os negros - conta Canini.
Questionado sobre como um aspirante a cartunista deveria proceder, Canini afirmou que a profissão é difícil.
- Hoje em dia o pessoal sobrevive mais fazendo charge. Só fazendo cartum a única maneira é reunir todos e publicar um livro. Depois do fim do Pasquim não tem muito espaço pro cartum – avalia Canini.
Quando perguntado sobre qual a maior alegria da sua trajetória, Canini respondeu:
– Em geral a maior alegria é sempre a última história. O Pago pra Ver está sendo muito bom, muito recompensador – avalia Canini.









