O final de 2012 aponta que uma das melhores brigas do próximo ano será em preto e branco. Ao menos no ringue da tecnologia.
O lançamento do Kobo, aparelho associado da Livraria Cultura, e a aproximação da chegada da Amazon ao Brasil, desenvolvedora do concorrente Kindle, prometem aquecer o mercado de livros digitais (e-books). Segmento ainda discreto, mas em rápido crescimento no país.
Disponibilizado no site da Livraria Cultura no útimo dia 27, o Kobo é um "e-reader", um leitor de livros digitais, que apela para a praticidade e simplicidade. A tela é em preto e branco, do tipo que não cansa os olhos. Nas menos de 200g, ele acomoda cerca de 30 mil livros, legíveis sem que a bateria se esgote por um mês. Na internet, o consumidor terá acesso a um acervo de 1 milhão de títulos da Kobo global.
É o que se tem de mais próximo no Brasil ao igualmente simples e consagrado Kindle, da americana Amazon. Comparação que o CEO da Livraria Cultura prefere abordar de outra forma.
- É o Kindle que se parece com o Kobo. Não sou eu quem estou dizendo, o Kobo foi eleito o melhor e-reader deste ano - declara Sérgio Herz, citando a escolha da revista Wired, especializada em tecnologia, que elogiou a resposta da tela touchscreen e classificou a "e-tinta" do aparelho como a mais próxima do papel já vista.
O lançamento do Kobo, no entanto, vale menos pelo aparelho e mais por facilitar o acesso aos 12 mil títulos de e-books em português da Livraria Cultura. Até o fim do primeiro semestre, ela promete quadruplicar este número. A pouca quantidade de acervo digital em português se une a dois outros problemas para a massificação do e-book no Brasil: o preço salgado dos eletrônicos por aqui e o acesso cansativo a aplicativos e lojas digitais.
Assegurar um conteúdo respeitável de títulos em português também foi o grande passo da Amazon antes do aguardado desembarque no Brasil. Após mais de um ano de arrastadas negociações, foi assinado neste mês o contrato da livraria online americana com a Distribuidora de Livros Digitais (DLD), plataforma composta por sete editoras brasileiras para armazenar e comercializar e-books.
- A estratégia da Amazon é se apresentar como uma livraria, e com descontos agressivos. Mas não é nos livros que eles lucram, eles te vendem até geladeira. Negociamos preços que não desrespeitem editoras e autores. Serão descontos não muito diferentes aos 20% a 30% praticados em outras livrarias digitais em relação ao impresso - assegura Ivan Pinheiro Machado, da L&PM, uma das editoras da DLD, com 600 títulos em português catalogados.
Tão desconhecida quanto a data de lançamento da Amazon no Brasil são os modelos de Kindle que ela comercializará por aqui. Por enquanto, o site da Amazon exporta o Kindle Keyboard a aproximadamente R$ 450 até o desembarque em Porto Alegre. O valor é competitivo com o Kobo, comercializado a R$ 399 de "puro imposto", conforme Herz. Nos Estados Unidos, o Kobo sai por US$ 130 (R$ 270).
- Não acho que o preço brasileiro valha a pena. É o valor de 10 livros físicos só pelo aparelho. Em promoção já vi tablets por R$ 999, que, além de servirem como e-readers, fazem um monte de outras coisas - aponta Eduardo Melo, do site revolucaoebook.com.br.
Desafios e preços salgados à parte, o mercado cresce. De 2011 para 2012, segundo Herz, a Cultura contabilizou um crescimento de 250% na venda de e-books. A iBook, livraria virtual da Apple acessível via iPhones e iPads, foi lançada em outubro no Brasil e, em menos de um mês, vendeu mais livros do que as livrarias Cultura e Saraiva somadas. Fundador da Simplíssimo, uma editora exclusivamente digital, Melo faz uma previsão audaciosa:
- Com os e-books e e-readers, aparecem autores independentes, que venderão as suas obras sem precisar se preocupar com a distribuição. Aposto que 2013 será o ano do primeiro fenômeno editorial brasileiro autopublicado.
Assista ao vídeo de divulgação do Kobo:













