Esse é um dos dilemas que motivam os embates passionais entre o artista e o jovem assistente Ken na peça Vermelho, escrita pelo americano John Logan. O espetáculo foi vencedor de seis Tony _ o grande prêmio do teatro americano _ em 2010 pela encenação de Michael Grandage. Ainda relativamente desconhecido do público brasileiro, o texto será apresentado de hoje a domingo no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, em uma produção estrelada por Antônio Fagundes, como Rothko, e seu filho Bruno no papel de Ken. A direção é de Jorge Takla.
Em meados da década de 1950, os preços dos trabalhos de Rothko triplicaram, alçando-o ao panteão que renovou a arte norte-americana moderna, ao lado dos expressionistas abstratos Pollock, De Kooning e Kline. Os US$ 35 mil que o pintor receberia pela série de telas do Four Seasons eram uma quantia vultosa para a época, prerrogativa de artistas que estavam no topo. Vaidoso e irascível, o Rothko retratado em Vermelho é profundamente humano em suas contradições. Brada ao novo ajudante que não deseja ser seu pai ou professor _ e logo age como se assumisse, por alguns momentos, estes papéis. Em depoimento a Zero Hora por telefone, de São Paulo, Antônio Fagundes afirma:
- O autor da peça usa Rothko para discutir diversos assuntos. Ele e o assistente falam sobre arte, relação entre pai e filho, mestre e discípulo, sobre ouvir e ser ouvido, sobre o crescimento humano e a comercialização da arte.
Na preparação do espetáculo, Antônio e Bruno contaram com o auxílio do artista paulista Paulo Pasta, que os ensinou a misturar pigmentos, a esticar telas e a realizar outros procedimentos da pintura que são executados em cena. Foi um aprendizado especialmente útil para Bruno, 23 anos, que pinta há mais de 10. Ele contabiliza cerca de 40 quadros de autoria própria.
- Essa foi uma das partes mais interessantes do processo, que é viver o dia a dia de um ateliê de pintura - avalia Bruno. - É complicado dizer um texto enquanto se grampeia uma tela, mas faz parte dos desafios que a peça apresenta.
Criar uma série para deleite visual dos frequentadores endinheirados do Four Seasons - explorando os tons de vermelho - também foi um desafio para Rothko. Seu desejo era produzir obras que tivessem um verdadeiro efeito antidigestivo. Foi em um jantar no recém-inaugurado restaurante que teve um insight: aquelas pessoas não se importavam com a arte. E renunciou ao projeto. As telas tiveram como destino a Tate Gallery - hoje, Tate Britain - em Londres, em fevereiro de 1970, onde chegaram no mesmo dia em que Rothko foi encontrado morto, em Nova York. Suicidou-se aos 66 anos, último capítulo de uma história vivida com a mesma intensidade das cores e formas de suas telas.
Vermelho
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº), fone: (51) 3227-5100. Na Sexta e sábado, às 21h, e no domingo, às 20h.
Ingressos:
R$ 40 (galerias)
R$ 70 (camarotes laterais)
R$ 120 (camarotes centrais e cadeiras extras)
R$ 140 (plateia - esgotados para a sessão de sexta).
Desconto de 20% para titulares do Clube do Assinante.
Pontos de venda: bilheteria do Theatro São Pedro, de segunda a sexta, das 13h às 21h. Sábado, das 15h às 21h, e domingo, das 15h às 18h.













