Noite mais triste24/10/2012 | 21h35Atualizada em 25/10/2012 | 11h27

Morre o sagaz Tatata Pimentel

Um dos grandes intelectuais do Rio Grande do Sul, o apresentador, jornalista e professor morreu em casa, aos 74 anos

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Morre o sagaz Tatata Pimentel Júlio Cordeiro/
Tatata Pimentel apresentou o Café TVCOM até janeiro deste ano Foto: Júlio Cordeiro

O Rio Grande do Sul perdeu um de seus intelectuais mais queridos e sagazes. Aos 74 anos, morreu o apresentador de TV, professor e jornalista Tatata Pimentel.

O velório será nesta quinta-feira no Cemitério São Miguel e Almas, a partir das 8h, e o enterro está previsto para as 17h. Sobrinho de Tatata, Thiago Pimentel de Souza, 28 anos, morava com o apresentador desde os 16 anos e encontrou o corpo por volta das 20h de quarta-feira na Capital. Thiago dormira fora e estranhou a falta de movimento ao voltar ao apartamento.

— Quando cheguei, achei muito estranho que o jornal ainda estivesse na porta. Era a primeira coisa que ele pegava ao acordar. Chamei pelo nome, e ele não atendeu — conta.

Thiago encontrou o corpo de Tatata na cama, e a suspeita é de que tenha morrido enquanto dormia, na noite anterior. O apresentador já enfrentara cirurgias para desobstruir artérias do coração e era fumante. Em novembro, planejava viajar à Europa.

> Confira fotos da trajetória de Tatata Pimentel
 
> Amigos e ex-colegas lamentam a morte

Roberto Valfredo Bicca Pimentel, o Tatata Pimentel, nasceu em 1938 do amor de Alcyr, um carioca que foi parar em Santa Maria para trabalhar na viação ferroviária, por uma professora de Literatura natural de Alegrete. Ficou sete anos na região central até a família se mudar para Porto Alegre. Era um orgulhoso fruto do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, que "fez a sua cabeça para a vida inteira".

Após a primeira faculdade, de Artes Dramáticas na UFRGS, concluída em 1959, estudou Letras, Direito, Jornalismo e fez mestrado em Línguas Neolatinas na África, o que o levou também a uma temporada na Europa. Depois, ainda fez doutorado em Teoria Literária. Na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, deixou por 13 anos sua marca como professor do curso de Jornalismo até 2000, quando passou a dedicar-se somente à TV. Até o fim do ano passado, apresentou o programa Gente da Noite, na TVCOM.

Apesar de querido por muitos, espalhava que não tinha amigos. Dizia também que, com mais de 70 anos, se permitia ser arrogante, "porque já deu para viver e aprender muito":

— É que realmente sei mais do que o nível das pessoas com que ando. Ser inteligente me prejudica. Vejo erro de amigos e digo: "Não é isso, está errado!". Mas inimigos, se tenho, não os conheço, porque eles morrem de medo de mim – declarou Tatata, às gargalhadas, em sua última entrevista à revista Donna, de Zero Hora, em janeiro de 2011.

Na mesma entrevista, Tatata foi perguntado se pensava na morte:

— A minha preocupação não é a morte, é quem vai herdar a minha biblioteca.

Amigos lembram Tatata

Nelson Sirotsky,
Presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS

Tatata vivenciou como comunicador muitas etapas da TV no RS. Na RBS, tivemos a felicidade de conviver com ele, que foi um excelente apresentador, um homem de grande cultura e um ser humano extraordinário.

Regina Zilberman,
Professora de literatura

Foi meu aluno na pós-graduação
(em Letras) da PUCRS. Tinha tanto talento que logo foi contratado como professor. Ensinávamos algumas coisas, mas, em alguns temas, ele sabia muito mais. E tinha o dom de motivar os alunos.

Eleonora Rizzo,
Jornalista e chef de cozinha

Tinha um humor diferenciado e, com sua visão crítica e inconformada, chamava os amigos à razão.

Alice Urbim,
Gerente de programação da RBS TV

Perdemos um dos ícones da TV. Ele criou um estilo único, uma grife. Sua personalidade era muito marcante. Era culto, alimentava-se de música e literatura. Era um patrimônio cultural de Porto Alegre.

Claudinho Pereira,
DJ e comunicador

É uma perda imensa. Ainda faríamos muita coisa juntos, tenho certeza disso.

Tulio Milman,
Colunista de ZH

Era um cara inquieto do ponto de vista intelectual. Conseguiu aproveitar a vida de uma forma bonita. Ele é um desses personagens dos quais as cidades precisam. Não vamos encontrar outro Tatata.

David Coimbra,
Colunista de ZH

O Tatata era meio Truman Capote _ iconoclasta e divertido. Era também um pouco Proust, outro de seus ídolos, talvez o maior deles, porque, como Proust, ele era sociável e recluso ao mesmo tempo. Era, enfim, um personagem de si mesmo.

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