Da Renascença a contemporaneidade01/10/2012 | 18h07

Maestro e pianista João Carlos Martins conta a história da dança na música de concerto

Apresentação, que ocorre nesta terça-feira, no Auditória Dante Barone, já tem ingressos esgotados

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Maestro e pianista João Carlos Martins conta a história da dança na música de concerto Fernando Mucci,Platinum/Divulgação
Foto: Fernando Mucci,Platinum / Divulgação
Fábio Prikladnicki

fabio.pri@zerohora.com.br

Em 2011, a Vai-Vai sagrou-se campeã no Carnaval paulista ao unir samba no pé e música de concerto, com um enredo dedicado à trajetória do pianista e maestro brasileiro de renome internacional João Carlos Martins.

Nesta terça-feira (2/10), é a vez dele retribuir a homenagem. O concerto em que Martins vai reger a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), às 20h30min, no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, terá uma versão do samba-enredo vencedor, com arranjo de Mateus Araujo.

Será um dos destinos do itinerário que o maestro preparou para contar a história da presença da dança na música de concerto, de movimentos das Suítes Orquestrais 2 e 3, de Bach (1685 – 1750), ao Bolero, de Ravel (1875 – 1937). A ideia é mostrar as características assumidas pelas apropriações da dança por autores de diferentes períodos. É um percurso e tanto para uma noite. Começa na Renascença e termina na contemporaneidade, como explica Martins, por telefone, de São Paulo:

– A dança tinha um aspecto quando terminou a Renascença. Quando chega ao barroco, com Bach, ganha outras perspectivas. Isso ocorre novamente no classicismo, e assim por diante. É com Tchaikovsky que a dança ganha características cênicas, como no caso dos balés O Quebra-Nozes e O Lago dos Cisnes.

Do lado de cá do Atlântico, estão o Rag, da suíte Points on Jazz, do compositor e pianista americano Dave Brubeck, que renovou o jazz com diferentes tempos musicais, e Libertango, de Piazzolla.

– Piazzolla acabou se tornando um clássico. E Brubeck trouxe Bach para o jazz. Ouvindo Tchaikovsky e Brubeck à luz do contexto geopolítico, percebemos por que as nações russa e americana tiveram tantas contradições ao longo do tempo – compara Martins, que ao final do concerto tocará, ao piano, temas de Ennio Morricone para os filmes A Missão (1986) e Cinema Paradiso (1988).

Aos 72 anos, o maestro e pianista recupera alguns movimentos nas mãos, que vinha perdendo desde 2002, quando teve de interromper a brilhante carreira de pianista internacional em função de uma lesão na mão direita, sofrida em uma partida de futebol. Também teve uma distonia muscular, que altera os movimentos do braço e da mão esquerdos. No concerto de hoje, ele quer mostrar que o título do samba-enredo da Vai-Vai está mais atual do que nunca: A Música Venceu.


Apresentação da Ospa com regência de João Carlos Martins
2 de outubro (terça-feira)
Horário: 20h30
Local: Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa (Praça Marechal Deodoro, 101)
Ingressos: Esgotados
Informações: (51) 3210-2034

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