As mais novas vítimas da paranoia repressiva do presidente russo são jovens de uma banda feminista de punk rock chamada Pussy Riot.
Por organizarem um protesto contra Vladimir Putin em frente à catedral de Moscou elas podem ser condenadas a três anos prisão sob a acusação de vandalismo motivado por ódio religioso.
Presas desde fevereiro, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich despertaram simpatia de celebridades — inclusive da cantora Madonna que está em turnê na Rússia. O caso expõe a truculência do regime e sua intolerância crescente com vozes contrárias — ainda mais em altos decibéis das canções de protesto. O promotor do caso, que pediu ontem três anos de reclusão para o trio, afirmou que as garotas deveriam ser "isoladas da sociedade" e que elas haviam violado as tradições do país.
Putin, que governa a Rússia de fato desde 1999 — foi presidente, primeiro-ministro e retornou à presidência — tomou posse em maio em meio a protestos e denúncias de fraude nas eleições. Centenas de manifestantes foram presos. Logo após assumir, o governo enrijeceu a legislação sobre a liberdade de reunião com novas leis que preveem a necessidade de autorização do Estado para realizar manifestações. Putin tornou as multas significativamente mais altas para violações do código.
Outro caso incluído no rol da perseguição política é a prisão do blogueiro Alexei Navalny, considerado um dos líderes da oposição, no fim de julho. Ele é acusado por roubo de madeira de uma companhia estatal, enquanto trabalhava como conselheiro de um governo regional, em 2009.
O histórico russo de repressão e intolerância à dissidência não é novo: durante o período czarista e soviético imperava a força do comando de quem estava no poder. Após a queda da União Soviética, o país adotou as regras que regem as democracias constitucionais do Ocidente.
Classe média está insatisfeita com regime
Putin, um ex-agente da KGB, chegou ao poder pelas regras do jogo, mas se manteve graças a um período de crescimento econômico no qual pôde manipular as regras. Seu maior desafio, no entanto, é encarar uma classe média insatisfeita com a situação econômica — e política — do país.
Mark Feygin, um dos advogados da banda, resumiu durante o julgamento seu sentimento em relação ao governo:
— Na Rússia, não há Estado de direito. Na Rússia, não há sistema judicial. Nada mudou desde os tempos do comunismo.









