Com a ideia de debater a evolução dos coletivos de foto, o 6º Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre apresenta exposições e outras atividades até 30 de novembro no Memorial do RS.
Entre os destaques, está uma exposição da paulista Nair Benedicto, fotógrafa homenageada. Não por acaso, Nair esteve entre os criadores das agências que ajudaram a transformar o modo de veiculação das imagens no país nos anos 1980. No dia 6 de novembro, será inaugurada a exposição Invasão de Praga: 1968, do fotógrafo checo Josef Koudelka, com a presença deste que é um dos célebres nomes da agência Magnum. Criada em 1947, teve entre seus integrantes lendas como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa.
Coordenador geral do 6º FestFotoPoa, Carlos Carvalho compara os coletivos no Brasil da década de 1980 com os de hoje:
– O que os diferenciava era uma premissa de independência. Era uma produção que tinha como base a autoralidade. Não podemos esquecer que os fotógrafos buscavam reafirmar sua condição. Além disso, a política era pauta obrigatória de todo profissional. Hoje, é completamente diferente. Os fotógrafos têm um aparato de difusão impensável naquela época. As preocupações são mais estéticas do que voltadas para uma questão social, o que não invalida a preocupação política. Grupos como a Cia de Foto assinam coletivamente, o que as agências da década de 1980 jamais fariam.
Carvalho é otimista sobre a difusão da imagem em um momento no qual a fotografia está ao alcance de praticamente qualquer pessoa – profissional ou não – com acesso a um aparelho celular.
– As novas tecnologias dessacralizaram o ato fotográfico. Acho positivo. Mas houve uma perda do aproveitamento da fotografia na comunicação. Os jornais e as revistas pararam de fazer grandes reportagens. Felizmente, estão descobrindo os recursos multimídia. Na década de 1980, sabia-se mais da Amazônia do que hoje.
A semana principal de atividades do evento vai até sábado, com debates, palestras, seminários e encontros com autores.













