BRock21/06/2012 | 05h33

"A primeira Blitz não se esquece", diz Evandro Mesquita

Confira entrevista do cantor e ator, um dos principais artistas do primeiro momento do BRock

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"A primeira Blitz não se esquece", diz Evandro Mesquita Renan Yudi/Reprodução
O ator e cantor Evandro Mesquita Foto: Renan Yudi / Reprodução

Aos 57 anos, Evandro Mesquita parece um eterno menino do Rio correndo na frente do passar dos anos. Mas a estrada percorrida por ele é longa. Depois de pintar e bordar no teatro nos anos 1970, emendou a carreira de rockstar à frente da Blitz e a de ator de cinema e TV.

A Blitz segue na ativa, e ele se desdobra para conciliar a vida na estrada e as gravações de A Grande Família, em que vive o Paulão da Regulagem.

Zero Hora – Qual a sensação de ver que um disco lançado há 30 anos, além de abrir portas para toda uma leva de bandas nacionais, segue com muitas de suas canções vivas nas rádios e conhecidas pela garotada?

Evandro Mesquita – Pois é... É sensacional reencontrar o público que acompanhou nossa história e essa garotada que descobriu a banda na internet ou nos discos dos pais e irmãos mais velhos e que oxigena a banda mantendo a gente na estrada e a chama acesa. Costumo falar que música boa não tem prazo de validade!

ZH – No olho do furacão, vocês tinham noção da dimensão que a banda assumia quando Você Não Soube me Amar estourou nas rádios?

Mesquita - A gente só sabia que a família e o pessoal do bairro e da praia iriam curtir. A possibilidade de uma banda como a nossa ter vez numa gravadora era a mesma de jogar uma pelada na lua.

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ZH – Não houve no Brasil outra banda parecida com a Blitz. As que tentaram seguir o caminho, em geral, acabaram se voltando para o humor infantilizado ou escrachado. Você acredita que a Blitz foi cria de seu tempo, herdeira da contracultura dos anos 1970, da experiência teatral de vanguarda, das vivências de jovens que cresceram sob a ditadura?

Mesquita – Total. Ali que bebemos. O teatro que fiz no Teatro Ipanema, do Rubens Corrêa e do Ivan de Albuquerque, e depois no Asdrúbal Trouxe o Trombone tinha essa energia rock hippie pop de misturar varias influências e segmentos da arte contemporânea: Moreira da Silva, Stones, Mutantes, Led Zeppelin, Roberto Erasmo etc... Liberdade quase total em plena ditadura. Arriscar nas entrelinhas e manter a bandeira da arte e da experiência hasteada.

ZH – Algumas características da Blitz talvez não fossem percebidas à época, como a excelência dos músicos, o flerte com diferentes gêneros, as letras com histórias em primeira pessoa. Como vocês trabalhavam esse equilíbrio entre, digamos, diversão e ralação, visual e musical?

Mesquita – Não era uma coisa pensada e programada. Era o que tínhamos, o que curtíamos. Como nosso teatro. As pessoas falavam: "Adorei o show de vocês!". Nossa música tinha esse lado teatral, de falar de personagens próximos e identificáveis com nossa geração, situando cenários, além da possibilidade de diálogo com as meninas da banda, falando sério, mas sempre com humor, sem ser um discurso didático ou panfletário. É a união do time com as contribuições musicais de cada um, junto à enorme vontade de brincar e viver disso.

ZH – Sua carreira como ator sempre seguiu em paralelo com a de músico. Você em algum momento já teve de fazer opção por seguir uma ou outra?

Mesquita - Às vezes, embolam datas e horários, mas é assim que entendo a arte ou procuro entender. E uma coisa acaba alimentando a outra.

ZH – Você se considera um ator que canta ou um cantor que atua?

Mesquita – Não penso nisso... Gosto de fazer arte. De pintar o sete. Sou arteiro. Mas a música me dá um prazer sublime, somos responsáveis por tudo o que levamos para a estrada e o palco.

ZH – Está nos planos da Blitz lançar um disco com material inédito?

Mesquita - Sempre! Ainda este ano, queremos lançar CD/DVD de inéditas, um documentário chamado Blitz Documentos e um livro de fotos com DVD, com o nosso olhar, editado por mim, dos bastidores das viagens e shows. Essa formação de quatro da antiga e três novos está junta há oito anos. Quem já viu vale a conferida e quem não viu... A primeira Blitz ninguém esquece.

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ZH – Olhando em retrospectiva, tem algo na trajetória da Blitz que você, com a experiência que tem hoje, faria diferente?

Mesquita - Diferente... O próximo disco. Uma trajetória de 30 anos é cheia de erros e acertos e é isso que nos faz melhores músicos e seres humanos.

ZH – O que você acha de o pop rock do Brasil hoje, diferentemente dos anos 1980, estar num plano secundário, pelo menos no que se refere em espaço na grande mídia, hoje praticamente voltada para sertanejos, tecnobregas e afins. O gosto do público jovem piorou?

Mesquita - Não sei... Muita informação, rapidez e facilidade de se produzir, a coisa antropofágica da mídia de buscar a novidade da semana esquecendo a consistência e trajetória de artistas, o fim das lojas, o aparecimento de novos caminhos na net, tornou tudo meio confuso e segmentado. Estamos no olho do furacão esperando ver o que vai dar. Mas seguimos nessa turnê sem fim.

ZH – Você acredita que a relação dos fãs com artistas que conhece pela internet e consome de forma fragmentada em mp3 é menos intensa e passional hoje do que era década atrás?

Mesquita - Acho que não. Tem bandas que nunca se ouviu falar e tem milhares de fãs e vivem com shows mesmo fora da mídia tradicional. E isso é bom... Ou acho que é!

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