Riviera francesa18/05/2012 | 14h30

Sátira e turismo sexual estão entre os temas exibidos em Cannes nesta sexta

Exibição de "Reality" e "Paradise: Liebe" agradou nesta sexta-feira

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Sátira e turismo sexual estão entre os temas exibidos em Cannes nesta sexta ALBERTO PIZZOLI/AFP
Equipe de "Paradise: Liebe" na divulgação do filme Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP

Reality, um filme do italiano Matteo Garrone, cujo protagonista, Aniello Arena, está na prisão há 18 anos, e Paradies: Liebe, um filme do austríaco Ulrich Seidl, sobre o turismo sexual na África, tiveram boa repercussão nesta sexta-feira em Cannes.

— Aniello Arena não pôde vir a Cannes porque está na prisão há 18 anos — explicou Garrone em uma coletiva de imprensa no Palácio dos Festivais, após a exibição de seu filme, que descreveu como uma "comédia que se transforma em tragédia".

O ator obteve permissão para sair da prisão e rodar o filme, mas não para comparecer ao Festival de Cannes.

Garrone, que conquistou o Prêmio do Júri em Cannes em 2008 por Gomorra, um retrato da máfia napolitana, explicou o que o levou a escolher um homem que cumpre uma pena de 20 anos de prisão como protagonista de Reality.

 — Meu pai é um crítico de teatro, e todos os verões íamos ver as peças da Companhia da Fortaleza, que trabalha com prisioneiros — contou o diretor. Um destes presos era Aniello Arena, que começou a carreira de ator em 2001, na prisão de Volterra, na província de Pisa.

O outro filme exibido nesta sexta-feira e que disputa a Palma de Ouro é Paradies: Liebe, que conta a história da viagem de Theresa (Margarethe Tiesel), uma assistente social, ao Quênia para esquecer sua dura realidade e desfrutar do sexo com os jovens que frequentam as praias de Mombassa, negociando colares, passeios de barcos, entre outras atividades.

Com uma estética visual caprichada, Seidl aborda o tema sem piedade, exibindo mulheres acima do peso, com os seios caídos, em busca de belos jovens como objetos sexuais. Mas o cineasta evita um olhar moralista e não julga as personagens.

— O que me interessa é retratar a realidade. No Ocidente, ninguém olha para as mulheres de mais de 50 anos. É muito difícil para elas ter uma vida sexual. Assim a África é para elas um presente — disse o diretor austríaco.

— E para os jovens da praia, é uma maneira de sobreviver. Para eles, a maior conquista é ter uma relação de longo prazo com uma mulher branca, porque isto representa um emprego a longo prazo — concluiu na entrevista coletiva.

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