Especial04/05/2012 | 06h02

Salve, Jorge

Para comemorar os 48 anos de Zero Hora, convidamos o diretor Jorge Furtado para ser editor do Segundo Caderno por um dia

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Jorge Furtado*
Salve, Jorge Adriana Franciosi/Agencia RBS
Cineasta Jorge Furtado Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Tudo bem? Bom dia, bom dia. Tá gravando? Bom... Para começar, obrigado pelo convite para ser editor. Agora, se alguém me disser o que faz um editor, talvez eu possa ajudar (risos). (Voz feminina) O editor manda as outras pessoas trabalharem (risos). Ótimo! Gostei (risos).

Bom, o que eu já pensei até agora... Tudo bem? E aí? Como vai? Bom... o que eu pensei até agora foi fazer uma edição durável, que talvez alguém pense em guardar, com alguns inventários, listas, sobre a relação do Rio Grande do Sul com o mundo e do mundo com o Rio Grande do Sul, uma edição que revelasse de uma vez por todas... (ruído de porta, trecho incompreensível) ... da alma gaúcha.

Acho que temos com nossa terra, assim como por nossa família, nosso jornal, nosso time de futebol, uma relação de amor e, vá lá, raiva, já que ódio faz mal ao fígado. Quer dizer, eu adoro churrasco e chimarrão e coisa e tal, mas esta bandeira, francamente! Amarela, vermelha e verde? E de quem foi a ideia de dançar de botas?

O orgulho de ser gaúcho faz algum sentido ou é bairrismo puro? Que motivos temos para nos orgulhar de Rio Grande do Sul? Talvez nossos índices de leitura, cinemas per capita, analfabetismo? E para se envergonhar? São Paulo proibiu publicidade nas ruas e tem ótima sinalização, a de Porto Alegre é péssima e a paisagem está cada vez mais coberta de painéis, isso para não falar da nojeira que são os anúncios nas estradas gaúchas, atestados de ganância e mau gosto empestando os morros, emparedando lagoas e horizontes.

Belém devolveu o porto e o rio a seus moradores, nós estamos pensando no assunto há 30 anos ou mais. No Rio, dá para caminhar na rua à noite, a cidade tem vida noturna de calçada, aqui lazer noturno, que diverte, movimenta a vida cultural, gera empregos, turismo, é tratado como caso de polícia. Recife recuperou sua zona central e portuária com criatividade. E nós? O que temos de melhor por aqui? E de pior?

Acho que um jornal deve ser, para uma comunidade, como os amigos são para as pessoas. Os bons comemoram nossos acertos, os melhores são os que nos avisam: "Você está com um feijão no dente. Bem na frente, não, o outro, mais pro lado, mais, aí, pronto, saiu".


* Cineasta, diretor de filmes como
"Saneamento Básico, O Filme" e "Meu Tio Matou um Cara"

Comentar esta matéria Comentários (3)

Raoni

enquanto os gaúchos continuarmos pensando que aqui é o melhor lugar do mundo... continuaremos um povo xenófobo e atrasado, vendo o cavalo da história passar encilhado... excelentes considerações do JorgeF.

04/05/2012 | 10h48 Denunciar

Matheus Ribeiro Flores

E a pergunta fica, até quando vamos nos orgulhar do passado, sem olhar pro futuro?! Perdemos em educação nas escolas para SC e PR.Amo o RS mas nao vou ficar cego para os nossos problemas. Porto Alegre está atirada as traças e a região do porto não é utilizada.Parabens Jorge Furtado

04/05/2012 | 10h04 Denunciar

Matheus Ribeiro Flores

No texto ele coloca o dedo na ferida do RS.A tradição é o nosso orgulho e o nosso atraso. Somos uma província. Fizemos uma discusao por causa de um cachorro morto.Ao invés de se preocupar com nossa educação e saúde. Somos um estado decadente.Estamos virado numa Argentina piorada.

04/05/2012 | 09h56 Denunciar

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