Denso e pesado29/05/2012 | 06h34

Max Cavalera exibe som ainda mais agressivo em novo disco do Soulfly

Ex-vocalista do Sepultura bebeu do trabalho da antiga banda para gravar "Enslaved"

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Max Cavalera exibe som ainda mais agressivo em novo disco do Soulfly Warner Music/Divulgação
No novo álbum do Soulfly, Max Cavalera (à frente) dispara críticas contra governos e sociedade de consumo Foto: Warner Music / Divulgação

Não importa que tenha deixado o Sepultura em 1997, Max Cavalera sempre será lembrado como o frontman da banda que projetou o heavy metal brasileiro para o mundo.

Com Enslaved, oitavo álbum de estúdio do Soulfly, grupo que formou nos Estados Unidos após romper com os colegas brasileiros, Max faz as pazes com o passado para firmar as bases para o futuro.

Bebendo sem medo da fonte de sua antiga banda, o guitarrista e vocalista mineiro concebeu o melhor trabalho do Soulfly. Riffs criativos e bons solos de guitarra combinam-se com uma bateria com dois bumbos ensandecidos e a tradicional voz gutural de Max para criar um disco denso e pesado. Percussões, scratches e vocais rapeados que marcaram presença no início do Soulfly – não por acaso o primeiro álbum teve participação de Fred Durst, do Limp Bizkit, para horror dos fãs mais puristas _ foram deixados de lado.

De um modo geral, Enslaved lembra Chaos AD (1993), disco do Sepultura que consagrou a banda no cenário internacional e influenciou boa parte das bandas mais agressivas de metal dos 1990, especialmente as norte-americanas. Essa semelhança se percebe principalmente pela estrutura das músicas, todas relativamente curtas e diretas, mas nem por isso simples.

Mas não é correto dizer que o lançamento do Soulfly apenas recicla o velho Sepultura. Graças à participação dos novos integrantes Tony Campos (no baixo) e David Kinkade (bateria), o grupo ganhou toques de death metal – vertente das mais brutais do heavy metal –, mas com doses pontuais de melodia que ajudam a dar dramaticidade às composições.

O quarteto é completado pelo guitarrista Marc Rizzo, que desde o álbum Dark Ages (2006) tem ajudado a tecer uma sonoridade mais sombria para a música do Soulfly. Rizzo também é responsável por produzir, em Enslaved, os melhores solos de guitarra já gravados pela atual banda do ex-vocalista do Sepultura.

Em suas letras simples, mas eficientes, Max continua disparando críticas contra tudo e todos: sociedade de consumo, governos e até o crime organizado, como em Plata o Plomo, com letra parte em espanhol, parte em português, que resgata Pablo Esbobar e o Cartel de Medellín. Já em Legions e World Scum, os alvos são as intermináveis guerras travadas pela humanidade.

Enslaved é um CD que merece um audição atenta, embora não supere a sequencia de discos que o Sepultura lançou entre 1989 e 1996. Mas sejamos justos, até por uma questão de contexto histórico, o impacto daqueles álbuns dificilmente poderá ser igualado, mesmo que a formação original do grupo se reunisse novamente. Ainda assim, o novo trabalho do Soulfly é uma bela mostra do que Max Cavalera pode oferecer.

Enslaved
Soulfly
Warner, 11 faixas, e preço médio de R$ 29,90.
Cotação: 4 de 5

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