Trágica realeza04/05/2012 | 17h03

"Hécuba" será encenada sábado e domingo no Theatro São Pedro

Admiradora do tragediógrafo grego, Walderez de Barros foi quem sugeriu a peça ao diretor

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"Hécuba" será encenada sábado e domingo no Theatro São Pedro João Caldas/Divulgação
Montagem de "Hécuba" Foto: João Caldas / Divulgação

A última vez em que Walderez de Barros esteve nos palcos havia sido em 2004, com Fausto Zero, de Goethe. Com direção de Gabriel Villela, o espetáculo foi apresentado em Moscou um ano depois.

Desde então, ela teve uma intensa agenda na televisão, mas jamais se sentiu distante do teatro.

Há anos, a atriz acalenta o plano de interpretar Hécuba, o papel-título da tragédia de Eurípides. Também sob direção de Villela, a montagem estreou em São Paulo em 2011. Agora, chega à Capital para apresentações hoje, às 21h, e amanhã, às 18h, no Theatro São Pedro (detalhes na Agenda). Admiradora do tragediógrafo grego, Walderez foi quem sugeriu a peça ao diretor:

— Hécuba sempre me interessou não apenas como personagem trágica, mas pelas questões levantadas. Em suas tragédias, Eurípides se colocou contra o imperialismo grego. Ele mostrava os horrores da guerra, falava dos perdedores, e não dos heróis — conta Walderez.

Rainha que se torna escrava com a queda de Troia, Hécuba vê sua filha Polixena (Nábia Vilela) ser levada para sacrifício por Odisseu (Flávio Tolezani). Ao saber da morte de Polidoro (Luiz Araújo), o filho mais novo, Hécuba trama uma vingança contra Polimestor (Fernando Neves), que o havia mandado matar para tomar os tesouros do reino de Troia. Completam o elenco Leonardo Diniz (Agamêmnon), Rogério Romera (Taltíbio), Marcello Boffat (corifeu) e Luísa Renaux (troiana).

É a primeira vez que Villela dirige uma tragédia grega. De sua lavra, o público gaúcho pôde assistir a Sua Incelença, Ricardo III (2011), no 18º Porto Alegre Em Cena, e a Calígula (2010), com Thiago Lacerda no papel principal.

— Desde o começo da minha carreira, desejei chegar ao núcleo da tradição teatral, que é a tragédia grega. Nem sei se estou preparado, mas julguei que, depois dos 50 anos (ele tem 53), poderia experimentar a construção de uma peça deste gênero — diz o diretor.

Há uma combinação de referências de diferentes culturas. Máscaras utilizadas pelo coro são criações do artista potiguar Shicó do Mamulengo; a trilha sonora de Ernani Maletta busca sons da música dos Bálcãs; e o teatro kabuki japonês também é uma das inspirações. A aposta é na cultura da miscigenação:

— É um dado da nossa realidade genético-cultural. Fazemos isso até sem pensar — diz Villela.

Em debate

O diretor Gabriel Villela estará ao lado do diretor e ator Aderbal Freire-Filho, da atriz Juliana Galdino (da companhia Club Noir) e da atriz e pesquisadora Paulina Nólibos (do Ói Nóis Aqui Traveiz) em "Debates Vivo EnCena _ O Trágico na Contemporaneidade". Com curadoria de Expedito Araujo e mediação do jornalista Dib Carneiro Neto, o evento será amanhã, às 14h30, no Theatro São Pedro, com entrada franca, e vai tratar da atualidade da tragédia a partir de Hécuba, de Eurípides.

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