Depois de um sem-número de séries policiais e dramas hospitalares — além de uma tonelada de futricas familiares —, a TV agora virou uma espécie de... mesa branca. Somente no último semestre de 2011, pelo menos cinco novas produções focando o sobrenatural, em suas mais variadas formas e entendimentos, tomaram a grade da TV norte-americana (e, por tabela, a TV por assinatura no Brasil). Sem contar velhos conhecidos que tiveram suas temporadas renovadas e outros que estão por vir — quer dizer, haja jogo do copo...
Claro que o gênero não é novo, mas, nos últimos anos, tem ganhado força (leia-se "público"). O maior exemplo talvez seja Supernatural, que está entrando em sua sétima temporada mesmo não sendo um primor de refino estético ou dono de um roteiro consistente. Na verdade, o charme dos protagonistas é creditado como a única explicação para a série ser uma das mais vistas do Warner Channel.
Mas nem tudo é tosquice. Um dos responsáveis por jogar nova luz sobre o oculto foi American Horror Story. Criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk, os mesmos de Glee, a série trata da difícil (e por vezes fatal) coexistência entre vivos e mortos em lugares mal-assombrados. Com produção esmerada e uma boa história, o sucesso foi instantâneo: com meros 12 episódios em sua primeira temporada, foi indicada a dois Globos de Ouro e ganhou um deles, de melhor atriz coadjuvante para a veterana Jessica Lange. Antes, bateu o recorde da TV americana com a exibição do último episódio, com 3,2 milhões de espectadores.
Agora iconizado, o elenco do seriado estrela a edição de fevereiro da revista Elle recriando personagens de filmes de horror famosos, como A Profecia, Carrie e Quando um Estranho Chama. Desnecessário dizer que uma segunda temporada já foi encomendada — e deve estrear no Halloween de 2012 no mesmo canal por assinatura FX.
Quem também vê fantasmas é o Dr. Michael Holt (Patrick Wilson), protagonista de A Gifted Man. Mas não qualquer fantasma, só o da ex-mulher. E a missão dela é nobre: fazer o arrogante e materialista médico ver o outro lado da profissão, dividindo seu tempo entre clínicas particulares e o atendimento em hospitais públicos. A trama pode ser acompanhada no Universal Channel.
Com menos glamour — mas igualmente bem cotadas — estão duas produções que exploram o universo dos contos de fadas. Longe das cândidas animações celebrizadas pelos estúdios Disney, Grimm e Once Upon a Time contextualizam personagens clássicos para o cotidiano atual e os inserem em situações que estão longe de um final feliz.
Grimm, em exibição no Brasil pelo Universal Channel, acompanha um policial que se descobre descendente dos famosos irmãos Grimm. O problema é que as histórias escritas pela dupla eram, na verdade, alertas sobre criaturas reais e perigosas, e cabe agora ao rapaz dar cabo de ameaças inspiradas nos contos, como o Lobo Mau, o Flautista de Hamelin e até — pasme — Os Três Porquinhos.
Com previsão de ser exibido no Brasil pela Sony, Once Upon a Time piora ainda mais o lado dos mocinhos. Na série criada por Adam Horowitz e Edward Kitsis (Lost, Tron), a Rainha Má venceu e amaldiçoou todos os personagens de contos de fada, condenando-os a viver numa cidadezinha do Maine — e pior, sem nenhuma lembrança de sua existência mágica. A única pessoa que pode reverter o feitiço é a filha da Branca de Neve, vivida por Jennifer Morrison (a Dr. Cameron, de House).
Já The Secret Circle, da Warner, é voltado exclusivamente para os adolescentes — principalmente se forem fãs de Vampire Diaries, uma vez que ambos são inspirados nos livros da autora L.J. Smith. Na nova série de ocultismo juvenil, em alta rotação na TV americana desde outubro, uma adolescente vai morar com a avó após a morte da mãe e descobre pertencer a uma linhagem de bruxas.
O tirador de sarro
Em The Mentalist, Patrick Jane (Simon Baker) fingia ter um dom paranormal para arrancar dinheiro de mulheres ricas e fazer sucesso na TV. Até que um assassino em série, Red John, mata sua mulher e sua filha. Jane então resolve largar a cascata e usar seu alto poder de observação para ajudar a polícia a desvendar crimes. Em quase todos os episódios, ele acaba tirando sarro de seus ex-colegas de profissão e de suas "visões".
A atração fatal dos vampiros
Nem só de assombrações e espíritos vivem os apaixonados pelos seriados que tratam do mundo sobrenatural. Os portadores de caninos afiados também marcam presença na telinha, hoje e sempre.
Mania especialmente entre adolescentes, as atuais séries vampirescas de maior audiência são True Blood, que chegou a ganhar prêmios no Globo de Ouro e no Emmy, e Vampire Diaries. No primeiro, Anna Paquim encarna uma garçonete de uma pequena cidade que (surpresa!) se apaixona por um vampiro. No seriado, que está em sua quarta temporada, esses seres agora são cidadãos comuns. Já em Vampire Diaries, na terceira temporada, o amor e a vingança são os temas dominantes. E, novamente, o amor impossível entre a humana bem-intencionada e o vampiro estudante se apresenta. Campeã de audiência nos EUA, a série ganhou um People’s Choice Award e sete Teen Choice Awards.
Buffy, uma das precursoras dessa mania humana por amar vampiros, tanto fez que transformou seu príncipe, Angel, em série também. A caçadora fofa de vampiros e seu namorado foram sucesso absoluto nos anos 1990.
Safra contínua para os fãs
> Pushing Daisies
O confeiteiro Ned (Lee Pace) descobre, ainda na infância, que tem o dom de trazer de volta à vida, apenas com um toque, os mortos. O problema é que, quando ele encosta na pessoa novamente, ploft!, a criatura morre. A parte boa: ele passa a solucionar crimes, tocando em vítimas e perguntando como elas morreram. A parte ruim: ele ressuscita a própria mulher, mas não pode nunca mais tocá-la. A parte pior: apesar da superprodução e do trabalho estético refinado, a série teve só duas temporadas
> Ghost Whisperer
Melinda Gordon (Jennifer Love Hewitt) via pessoas mortas. E as ajudava a resolver os problemas que haviam deixado pendentes em vida. Esta foi a trama das cinco temporadas de Ghost Whisperer, encerradas em 2010. Dona de uma loja de antiguidades, Melinda era frequentemente visitada por espíritos e saía atrás das pessoas com quem eles precisavam acertar as contas emocionais. Não raro, havia um que outro fantasma mal intencionado, mas, no geral, todos eram boa gente.
> Medium
No ar desde 2005, Medium já rendeu à sua protagonista, a atriz Patricia Arquette, o Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática pela interpretação de Allison Dubois, a medium do título. Mãe de família, a estudante de Direito tem sonhos e visões com pessoas mortas desde a infância. Seu dom, para variar, ela usa para o bem e ajuda a promotoria de sua cidade a solucionar crimes. Vencedora de diversos prêmios nos Estados Unidos, a série já conta com sete temporadas.
O que vem por aí
> Touch
A Fox estreia em março a série que marca a volta de Kiefer Sutherland à TV. Deste vez, o eterno Jack Bauer encarna Martin Bohm, pai solteiro cujo filho autista tem a habilidade de perceber padrões que, decodificados, podem evitar tragédias. A criação é de Tim Kring (Heroes).
> Awake
Após um acidente de carro com sua esposa e filho, policial passa a viver duas realidades: em uma delas, apenas a mulher morreu. Na outra, o garoto é que está morto. De repente, os dois mundos começam a se cruzar. Previsão de estreia para o 1º semestre nos EUA.
> The River
Um famoso explorador e estrela de reality show desaparece na Floresta Amazônica. Seis meses depois, uma equipe de resgate vai atrás dele e depara com muito mais do que simplesmente água e mato. Produção de Steven Spielberg e direção de Michael R. Perry e Oren Peli, de Atividade Paranormal.













