Orçado em US$ 1 milhão, minúscula quantia para os padrões americanos, Filha do Mal arrecadou US$ 53 milhões em quatro semanas de exibições nos Estados Unidos.
Deve aumentar significativamente este saldo a partir da carreira em outros países – entre eles o Brasil –, que começou ontem.
Não que o filme de terror de William Brent Bell, obscuro realizador de Stay Alive – Jogo Mortal (2006), faça jus ao barulho em torno de si. Representante menos inspirado da corrente dos mockumentários, aqueles longas que simulam ultrarrealismo para aumentar o susto no espectador, um de seus melhores apelos é a protagonista. E nem é somente porque ela é brasileira. Nascida em São José dos Campos (SP) e radicada em Miami desde os 11 anos, quando a família se mudou para os EUA, Fernanda Andrade é daquelas atrizes que crescem em frente à câmera mesmo mal dirigidas, como é o caso.
Ela é Isabella, jovem órfã que é entrevistada para um documentário sobre exorcismo. Vinte anos atrás, sua mãe (Suzan Crowley) matou três pessoas e foi internada num hospício na Itália. Suspeita-se de que estava possuída, em pleno ritual de expulsão do espírito maligno. Instigada a descobrir o que aconteceu à época, ela cruza o Atlântico, fala com estudiosos do tema e encontra a mulher – numa cena cuja inverossimilhança só não é trágica porque Filha do Mal assume, ainda que sem muita convicção, aquela postura típica dos trash movies que não encaram "bagaceiro" como um adjetivo desabonador.
O truque é o mesmo de [REC] (2007), de Atividade Paranormal (2007), das sequências e refilmagens de ambos e de títulos mais remotos como A Bruxa de Blair (1999): fazer o público ver a partir de uma câmera de tevê, de vídeo caseiro ou até de segurança. Aqui, a imagem é a da câmera do documentarista que acompanha Isabella em sua jornada de descoberta do belzebu. Esqueça o horror psicológico – o apelo de Filha do Mal é a violência explícita, o que incluiu possessões múltiplas, arremessos de corpos com força sobre-humana e até o registro chocante de um suicídio.
O choque, a fruição a partir do sobressalto – é o que querem as plateias deste tipo de filme. Elas crescem cada vez mais. São compostas em sua maioria por adolescentes, o que leva os produtores a pressionar por classificações etárias baixas, às vezes não condizentes com o conteúdo apresentado. Filha do Mal ao menos é espirituoso e não se leva tão a sério: antes do início da ação, a tela totalmente escura é tomada por um letreiro que lembra que o Vaticano não reconhece exorcismos e que, por isso, "não legitima este filme nem concedeu a ele suporte para a sua realização".
Pena que é um dos melhores momentos de todo o longa.
Veja o trailer de Filha do Mal:
FILHA DO MAL (The Devil Inside)
De William Brent Bell. Com Fernanda Andrade, Suzan Crowley, Simon Quarterman e Evan Helmuth.
Terror, EUA, 2012. Duração: 83 minutos. Classificação: 16 anos.
Em cartaz no circuito (confira as salas em www.guiadasemana.com.br).
!["Filha do Mal" é representante menos inspirado da onda que inclui "A Bruxa de Blair" e "[REC]" Paramount/Divulgação "Filha do Mal" é representante menos inspirado da onda que inclui "A Bruxa de Blair" e "[REC]" Paramount/Divulgação](http://zerohora.rbsdirect.com.br/imagesrc/12980502.jpg?w=620)












