Boa notícia01/02/2012 | 14h54

Bilheterias do cinema nacional cresceram em 2011, diz Ancine

Os ingressos vendidos no país chegaram a 143,9 milhões e a renda bruta nos cinemas totalizou R$ 1,44 bilhão

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Bilheterias do cinema nacional cresceram em 2011, diz Ancine Alexandre Lima/Divulgação
"Tropa de Elite 2" foi campeão de 2011 Foto: Alexandre Lima / Divulgação

Na recente Mostra Aurora, em Tiradentes, o que esteve em discussão foi o cinema brasileiro de autor - não apenas os diretores e seus temas, mas os métodos de produção que estão dando forma a um cinema alternativo, de nicho. Observadores internacionais, de festivais como Cannes, San Sebastián e Veneza, analisaram a repercussão desse cinema, que tende a ser o preferido dos curadores europeus, nas mostras paralelas dos maiores eventos fílmicos do mundo. O papo agora é outro. Manoel Rangel, diretor presidente da Ancine, a Agência Nacional de Cinema, entra em cena para falar do mercado.

E para comemorar - os números finais das bilheterias em 2011 confirmam a tendência de alta verificada desde o começo de 2010. O mercado, como um todo, aqueceu-se. Os ingressos vendidos no país chegaram a 143,9 milhões e a renda bruta nos cinemas totalizou R$ 1,44 bilhão. O Brasil consolidou-se como um dos maiores mercados do mundo. Intuitivamente, você deve ter percebido isso. Não foi por acaso que Tom Cruise, Michael Bay, Vin Diesel, Antonio Banderas e Salma Hayek estiveram no Rio para lançar seus filmes ao longo do ano.

Dentro desse quadro, qual o papel da produção brasileira? Os filmes nacionais venderam quase 18 milhões de ingressos, com mais de R$ 163 milhões de renda bruta. Esse desempenho foi um dos três melhores do cinema brasileiro, no próprio mercado, nos últimos dez anos. O número de longas brasileiros lançados nos cinemas - 99 - foi o maior do mesmo período. E há mais

– Sete filmes brasileiros venderam mais de 1 milhão de ingressos e isso equivale a uma concentração menor do público em poucos títulos – avalia Rangel. Em 2010, só para lembrar, Tropa de Elite 2, de José Padilha, fez sozinho cerca de 11 milhões de espectadores.

Em 2011, a participação dos filmes brasileiros nas salas de exibição - o chamado 'market share' - ficou em 12,4%, ante quase 18% em 2010, mas agora distribuídos em mais filmes. Três deles - De Pernas para o Ar, Cilada.Com e Bruna Surfistinha - ficaram entre as 20 maiores bilheterias do ano, respectivamente em 11.º, 13.º e 19.º lugares. Os campeoníssimos foram, mais uma vez, filmes de Hollywood - A Saga Crepúsculo - Amanhecer, Parte 1, fez 7.020.756 espectadores, seguido de Rio, a animação de Carlos Saldanha, com 6.352.260 espectadores e Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte 2, com 5.577.760 espectadores.

Naturalmente que o critério quantitativo não é o único nem - talvez - o mais importante para se avaliar a produção de cinema. Os críticos, leia texto, reclamam da contrapartida artística e social, mas seria um erro subestimar ou mesmo negar a força do mercado, principalmente nesta era de globalização. O cinema, afinal, é uma atividade econômica, senão exatamente uma grande indústria no País. Emprega gente, desenvolve tecnologias. E o próprio mercado não cessa de surpreender. Existem filmes que são formatados para ele, produções nacionais ou estrangeiras que fracassam na bilheteria. E existem os filmes pequenos, autorais, que fazem (e formam) plateias.

Agora mesmo - mas isso será assunto para a avaliação de 2012 - A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, está lotando salas com sua proposta radical para um documentário, sem entrevistas nem mesmo a identificação dos artistas que cantam as músicas do genial compositor. Claro que se trata de um filme pequeno - no tamanho, não na qualidade -, mas é a prova de que o público não é uma massa informe e descerebrada. Existem nichos para a produção alternativa (e o cinema autoral). Nos anos 1960, os clássicos do Cinema Novo colocavam o povo na tela e o afugentavam das salas, mas, no limite, os filmes que entraram para a história são os clássicos de Ruy Guerra (Os Fuzis), Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas) e Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol) - com Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, que foram êxitos.

Nos anos 1950, inversamente, as chanchadas, que agradavam ao público, eram execradas pelos críticos, mas hoje não há um que deixe de reconhecer a importância da estética da paródia da Atlântida (e como ela refletia o Brasil da época). Manoel Rangel diz que a Ancine não discrimina a produção brasileira para multidões nem a que se destina a um nicho da sociedade. O Brasil necessita de ambas, como as duas faces de uma moeda. Mas ele acha que o cinema precisa falar para o grande público e essa relevância estimula a manutenção e o desenvolvimento das políticas públicas para o setor. O share foi maior, e distribuído entre muitos filmes, não ligado a um fenômeno, como Tropa de Elite 2. O milagre, em 2011, foi um filme que transitou nas duas fronteiras - O Palhaço, de Selton Mello, com 1,4 milhão de espectadores.

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