Nova fase16/02/2012 | 17h11

América Latina avança no mercado de arte

Feira de Arte em Madri traz à tona evolução e maior visibilidade de artistas hispano-americanos

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América Latina avança no mercado de arte Paul White/AP
ARCOmadrid 2012 começou na terça-feira Foto: Paul White / AP

Em um mercado que luta para esquecer a crise, a América Latina oferece à arte compradores dispostos a investir e uma indústria criativa cada vez mais conhecida na Europa, como mostra a presença de artistas hispano-americanos na Feira de Arte Contemporânea de Madri. Com o programa "Solo Projects: Focus Latinoamérica", a ARCOmadrid 2012 volta suas atenções para a cena artística latino-americana. A feira começou na terça-feira e, até o domingo, apresenta obras de mais de três mil artistas vindos de 29 países.

— As coisas mudaram muito nos últimos dez anos, é um momento muito melhor. O Brasil tem muita visibilidade agora — constata a artista Rochelle Costi, de São Paulo.

Para a argentina Sonia Becce, uma das desenvolvedoras do "Solo Projects: Focus Latinoamérica", o objetivo da ARCO foi dar "ênfase à quantidade e representatividade do que ocorre hoje na América Latina". O que une a obra desses artistas "não tem a ver com o mundo da arte, que segue sendo muito eurocentrista, tem a ver com as sociedades de onde viemos" e as transformações que estão vivendo, considera o hondurenho Adán Valdecillo.

A América Latina não é reconhecida apenas porque sua arte está aparecendo na Europa, mas também porque a riqueza de suas economias faz dos seus mercados um destino atraente para as vendas de obras de arte.

O desenvolvimento da economia deve acarretar um aumento do número de feiras e exposições, cada vez mais frequentes na América Latina.

Eduardo Brandão, co-proprietário da galeria Vermelho, com sede em São Paulo, que representa principalmente jovens artistas brasileiros de vanguarda, conhece essa realidade de perto.

"O sistema brasileiro de museus e galerias é mais forte e, para os colecionadores, isso é muito importante, ajuda a vender no exterior", explica.

Isso é algo que Mirta Demare observa na galeria Bergsingel, em Roterdã, na Holanda, onde percebe uma "diferença sideral" entre colecionadores latino-americanos e holandeses, que compram menos pelo medo que a crise econômica e financeira provoca na região.

O mercado de arte está crescendo na América Latina porque é "o único lugar em que há dinheiro nesse momento", disse a galerista, que apresenta na ARCO uma instalação da artista argentina Alicia Herrero, que analisa o mercado de arte.

O hondurenho Valdecillo convida a aproveitar a boa fase do mercado de arte na América Latina: "é importante que nós, artistas latino-americanos, tenhamos mais consciência de fortalecer os vínculos regionais, porque é um mercado em desenvolvimento".

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