29/09/2011 | 21h50

Organização do Jabuti desclassifica mais um finalista

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Se a edição do ano passado do Prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira, foi marcada pela polêmica que opunha críticos e defensores de Chico Buarque, premiado como autor do Livro do Ano mesmo sem ter vencido na categoria em que concorria, a edição deste 2011 já está marcada por uma das organizações mais confusas desde o início do prêmio – ah, e desta vez Chico nem está concorrendo.

A organização do Prêmio anunciou hoje, em nota oficial, a desclassificação de mais um dos finalistas escolhidos para disputar o prêmio. A obra A Mão Afro-brasileira – significado da contribuição artística e histórica, volumes 1 e 2, com organização de Emanoel Araujo e coedição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e do Museu Afro-Brasil, finalista na categoria Artes, foi desclassificada da premiação.

 O motivo é que a obra já havia sido publicada em edição anterior em 1988, e só podem concorrer ao Jabuti, como expresso no regulamento do prêmio, livros inéditos. A desclassificação não prejudicou, contudo, uma das editoras, a Imprensa Oficial. O livro "suplente" que assume o lugar na premiação é Pixinguinha na Pauta, com organização de Bia Paes Leme, também uma coedição da Imprensa Oficial – desta vez com o Instituto Moreira Salles, passa a figurar entre os finalistas na categoria Artes.

Com este, já são quatro os livros selecionados como finalistas (e anunciados em 21 de setembro) e desclassificados posteriormente pela organização por não atenderem aos critérios exigidos no regulamento. O estudo O Outono da Idade Média, traduzido por Petra Janssen para a Cosac Naify concorria em tradução até ser desclassificado porque o regulamento só abrange traduções de obras ficcionais. O volume As Horas de Katharina, de Bruno Tolentino, finalista em poesia, também foi eliminado por se tratar de uma reedição (o mesmo livro inclusive já havia ficado em segundo lugar na categoria poesia do mesmo Jabuti em 1995. O terceiro desclassificado foi Itinerário de uma Falsa Vanguarda, de Arnoni Prado, que concorria em Teoria e Crítica Literária. O motivo foi o mesmo da obra de Tolentino: a atual versão da Editora 34 não é a primeira do livro, que já havia saído em nos anos 1980 pela Brasiliense.

Como em todos os casos os livros foram inscritos, aceitos, avaliados e premiados – e as desclassificações só foram realizadas depois que dúvidas quanto à adequação dos competidores ao regulamento foram levantadas na imprensa – a comissão organizadora se vê em situação delicada.

"A Câmara Brasileira do Livro lamenta a equivocada aceitação da inscrição, e se compromete a adotar providências no sentido de que o erro não se repita." disse o comunicado divulgado hoje no qual se anuncia a desclassificação de A Mão Afro-brasileira.

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