O jornalista Mário Magalhães, autor do livro Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, participou nesta terça-feira de um bate-papo sobre a obra junto a Jair Krischke, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. O escritor Leonencio Nossa, autor de Mata! O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia, que também participaria do debate, não pôde estar presente.
A biografia reconstitui a trajetória do legendário revolucionário Carlos Marighella, militante do Partido Comunista do Brasil e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar, a Ação Libertadora Nacional. Marighella foi assassinado em 1969.
Mário contou que o livro demorou nove anos para ficar pronto e que foi baseado em entrevistas com 256 pessoas e em bibliografia de mais de 600 títulos.
— A ideia é que o livro seja lido como um romance. Fiz um esforço para que fosse uma história de vidas. Não é um livro sobre a morte do Marighella, mas sim a história de uma vida intensa — conta o autor.
Mário disse que muitas histórias do livro acontecem no Rio Grande do Sul e citou alguns personagens da história do estado que aparecem na obra: Getúlio Vargas, Luis Carlos Prestes e Leonel Brizola, entre outros. Outra curiosidade é que a cena final do livro acontece em Balneário Pinhal - local onde o baiano nunca esteve.
Mário contou algumas das histórias sobre o guerrilheiro que estão no livro. Uma delas é um grande caso de amor, "do tipo Romeu e Julieta". É a história de Marighella com dona Clara, prima de Clarice Lispector, ucraniana e judia, que fugiu para ficar com ele contrariando o pai. O escritor também contou histórias polêmicas, como a da Constituinte de 46 em que Marighella defendeu o divórcio, e outras engraçadas do guerrilheiro.
Questionado sobre a comissão criada para investigar os crimes da Ditadura, Mário afirmou que será muito difícil encontrar os responsáveis, visto que a maioria deles estão mortos.
— Se os esforços não servirem para fazer Justiça eles não valem nada — afirma.
Já sobre a questão do parecer que está sendo deliberado pelo Conselho de Comunicação do Congresso sobre a publicação de biografias no Brasil, que visa garantir a divulgação de imagens e informações biográficas sobre pessoas de notoriedade pública, Mário afirmou ter apenas contado a história que queria contar.
— A família do Marighella foi muito generosa. Eu nunca submeti nada à eles, nem eles fizeram nenhuma objeção à nada do que eu fiz. Não pedi nenhum tipo de autorização, apenas disse que queria entrevistá-los — conta o escritor.
Para Mário, quando a biografia é de um político o direito à publicidade não se impõe.
— Há um direito público de conhecer a história. Não conheceríamos a história de muitas figuras polêmicas, como os nazistas, se a objeção das famílias fosse acatada — conclui o escritor.









