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Conteúdo: cracknempensar  |  19/12/2009 16h10min

Campanha Crack Nem Pensar mobiliza sociedade e terá nova fase em 2010

Esforço contra a droga já produziu efeitos em Santa Catarina e conscientizou estudantes

Desde maio deste ano a sociedade é alertada sobre o perigo social e de saúde pública que o crack representa para o Estado. A partir da Campanha Crack Nem Pensar, lançada em maio pelo Grupo RBS em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, uma mobilização se formou.

Movimentos sociais, empresas, órgãos de segurança e os governos estadual e federal se encajaram no combate e prevenção à droga. O trabalho continuará em 2010 e, a partir de março, uma nova fase será lançada.

O esforço contra o crack já produziu efeitos. A Secretaria de Estado da Saúde concentrou o trabalho nos alunos de Ensino Fundamental e Médio. De acordo com Judite Mattos, da Gerência de Valorização ao Educando, 40 mil estudantes participaram de atividades ligadas ao Projeto Viva Sem Drogas, uma série de ações educativas voltadas a arte e recreação.

As 36 Regionais de Educação do Estado receberam a proposta de criar as Brigadas Viva Sem Drogas. Foram formadas 40 equipes com pais e alunos a partir dos 12 anos. O trabalho foi complementado com palestras, gincanas e passeatas nas comunidades.

Judite afirma que as iniciativas levam informações aos estudantes e permitem maior discernimento sobre os malefícios provocados. Por este motivo, os jovens têm mais condições de dizer não às drogas.

A diminuição dos prejuízos causados pelo crack à sociedade também passa pela repressão policial. A campanha Crack Nem Pensar vigorou durante todo o segundo semestre deste ano e, neste período, o índice de apreensão da droga pela Polícia Militar cresceu 26,3% em relação aos seis primeiros meses do ano.

Foram retiradas das ruas 70.109 pedras no último semestre, frente a 55.509 entre janeiro e julho, sendo que nos quatro primeiros meses não havia campanha.

Tratamentos

Na área de saúde a principal iniciativa foi a abertura de pelo menos 80 leitos para tratamento de dependentes de crack, informa a secretária de Estado de Saúde em exercício, Carmen Zanotto. Ela diz que para 2010 a política será mantida e está prevista a inauguração de 12 unidades hospitalares com capacidade de atender entre 15 e 30 pacientes com problemas psiquiátricos e consumo de drogas cada uma.

Conscientização

Mentor da campanha, o Grupo RBS promoveu uma série de atividades. Em 26 de setembro, 10 cidades catarinenses foram mobilizadas com a distribuição de adesivos da campanha. Os profissionais da empresa se concentraram em pontos movimentados para um esforço conjunto de conscientização da sociedade.

Talento sem limites

Quando o professor de português chegou na aula com a proposta de produzir um jingle contra as drogas, nem todos os alunos do 5º ano da Escola Estadual Victor Konder, de São Francisco do Sul, no Litoral Norte, se animaram.

Rodrigo Almeida Guerreiro, de 11 anos, não foi um deles. Mesmo escrevendo com o método braille, ele terminou a letra em 45 minutos.

— Foi fácil, eu escrevi tudo e depois fui só mudando algumas palavras para rimar — conta.

A melodia foi desenvolvida com o cavaquinho, instrumento que ele toca desde os seis anos. Na escola em que Rodrigo estuda sempre há debates e conversas sobre o problema das drogas, mas a inspiração do garoto aconteceu mais pelo amor à música: ele sonha em seguir a carreira de músico e já faz parte de um conjunto de chorinho em São Francisco.

Tudo isso sem deixar de lado os estudos: ele passou direto para o 6º anos, estuda inglês e informática. A deficiência visual total não é limite para ele e por isso o jingle de Rodrigo foi selecionado como o melhor do Estado.

Florianópolis promove força-tarefa

A consequência da Campanha Crack Nem Pensar em Florianópolis foi a criação de uma força-tarefa contra a droga por parte da prefeitura. Foram reunidos técnicos das secretarias de Saúde, Assistência Social, Educação e Segurança Pública para tratar do caso.

Integrante da força-tarefa, Coordenadora de Saúde Mental de Florianópolis Sonia Saraiva diz que a primeira medida é a inauguração de um Centro de Atenção Psicossocial em 12 de janeiro. Ela estima que 110 usuários de drogas deverão ser atendidos a cada mês. O local funcionará nos moldes de um hospital dia e os pacientes contarão com oficinas e grupos terapêuticos.

A Secretaria de Assistência Social revela que neste ano 131 pessoas procuraram ajuda por usar somente crack. Se contar os usuários de crack e outra droga o número salta para pelo menos 800 casos.

Sonia afirma que eles representam uma parcela muito pequena dos dependentes químicos calcula ser de até 1,1% da população. A maioria pertence ao grupo de risco formado por jovens e moradores de rua.

Um levantamento realizada pela força tarefa descobriu que estas pessoas compram crack principalmente no Centro e no Continente, onde estão os pontos de venda da droga. Medidas de combate a este problema, ações preventivas e de assistência social foram formuladas pela força tarefa. Elas serão avaliadas pelo prefeito Dário Berger que decidirá como vai ocorrer a aplicação.

A Secretaria de Coordenação e Articulação estuda a criação de um conselho anti-drogas com profissionais das secretarias de Saúde, Educação e Segurança Pública.

Ações no Norte do Estado

Na escola Olavo Billac, em Pirabeiraba, Joinville, a prevenção do uso de drogas é um tema recorrente o ano inteiro. A discussão acontece com estudantes de todas as idades.

Quando o Programa Viva sem Drogas foi implantando, as crianças já estavam acostumadas a assistir a palestras e filmes e a participar de pesquisas e leituras sobre o problema.

Durante os meses de outubro e novembro os alunos se envolveram em todas as categorias do concurso. A escola foi selecionada como projeto destaque na etapa estadual e quatro alunos foram escolhidos para representá-la.

Sofia Helena Boldt, do 4º ano, Felipe Pereira Evaldt, do 7º ano, Geisi Gomes da Silveira e Juliana Redondo, ambas da 2ª série do Ensino Médio, participaram ativamente de todas as atividades e receberam o título de Brigada Antidrogas.

Juliana, 16 anos, afirma que participar do programa lhe tirou algumas dúvidas e a levou a descobrir muito sobre o consumo das drogas.

— Claro que eu já sabia que usar drogas era perigoso e de todos os problemas que elas causam, mas aprendi muito durante o projeto.

O trabalho vencedor foi o projeto multidisciplinar A vida é nossa maior viagem, não jogue seu passaporte no lixo... Diga não às drogas. Ele foi trabalhado em diversas disciplinas e tinha como base a prevenção das drogas por meio de ações educativas, culturais e recreacionais.

FELIPE PEREIRA E FABRIZIO MOTTA
Números da campanha
Levantamento do jornal Diário Catarinense
Matérias: 75 reportagens
Capa do DC: 12
Cartas para o Diário do Leitor: 15
Comerciais: 9
Participações
Adesão de empresas e manifestações: 40
Palestras: 4
Eventos: 13
Levantamento na RBS TV
Matérias: 54
Inserções na programação do Estado: 1.652

Comentários

sebastiao roberto de oliveira

Denuncie este comentário19/12/2009 20:55

vencer as drogas receita imbativel: exame de drogas nas forcas armadas, na policia e estudantes universitarios e para concursos publicos. esse eh o esforço de toda a sociedade e o resultado eh droga zero. e a outra cabeca eh a corrupcao: que tem varios chifres: financiamento de campanhas por empreteiras liberar o jogo do bicho e cassinos em todo o territorio nacional. hoje ja rende mais que as loterias e o dinheiro vai direto para a corrupcao, policial judiciario e politicos.

Fabrizzio Motta / 

Rodrigo Almeida Guerreiro é cego e compôs um jingle contra as drogas que foi eleito o melhor do Estado
Foto:  Fabrizzio Motta


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