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Conteúdo: cracknempensar | 02/12/2009 03h30min
Viúva, a doméstica Ângela Maria, 53 anos, cria dois filhos. Um deles, viciado em crack. Desde 2007 o rapaz de 25 anos é usuário da pedra, que o afastou da escola e agora o priva da liberdade.
Para afastá-lo da droga, a mãe colocou grades em todas as janelas e portas da casa onde vive em Pelotas, no sul do Estado. Diariamente ela tranca o filho e sai para trabalhar.
Divide com outras mulheres na mesma situação, a angústia do dia a dia. Desde outubro, o amor dessas mulheres criou em Pelotas o movimento Mães Contra o Crack.
A iniciativa é inspirada nas famosas Mães da Praça de Maio, que em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires, exigiam notícias dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina. A criação do grupo gaúcho partiu da vereadora e psicóloga Miriam Marroni (PT). Ela ouviu as mulheres e sugeriu reunir as histórias e as forças. O movimento nasceu com 10 integrantes, no dia 29 de outubro. Hoje já são 40
mulheres.
Como as colegas, Ângela Maria está desesperada
com a situação do filho, que chegou a vender por R$ 20 o tênis do irmão caçula que custou R$ 250.
São mulheres cansadas, para as quais trancafiar os filhos dentro de casa ou interná-los já se tornou uma dolorosa rotina. Elas batalham por um plantão de emergência para dependentes químicos, mais leitos nos hospitais, internação para desintoxicaçãoem colônias terapêuticas e o retorno gradual à sociedade.
– Eles (os filhos) são pessoas que ninguém quer. Mas nós os queremos – diz emocionada Eloí Machado, 74 anos, outra mãe que integra o grupo.
Mães que têm filhos viciados em crack se uniram para buscar apoio das autoridades
Foto:
Nauro Júnior
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