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Crack nem pensar  |  04/06/2009 12h45min

A cada tragada, um passo a mais em direção à morte

Crack vicia rapidamente e mata em pouco tempo

Caroline Passos  |  caroline.passos@santa.com.br

O preço baixo e a rapidez dos efeitos configuram como os principais atrativos deste derivado da cocaína. Como uma montanha-russa, o crack é um estimulante capaz de alcançar alto nível de prazer em até 10 segundos após ser inalado. Porém, cinco minutos depois, o usuário é surpreendido por uma depressão profunda. Para superar a dor psicológica, o dependente recorrerá sempre à droga. Cada vez que ele utiliza o crack, dá mais um passo em direção à morte.

- O craqueiro, como é popularmente conhecido o usuário, tem vida curta. Ou ele morre em situações de violência, como brigas com traficantes, ou por problemas crônicos, como derrame cerebral - alerta o psiquiatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia de Grupo, Marco Aurélio Cigognini.

A velocidade em que atinge o cérebro é resultado da forma como a droga é consumida. Os usuários utilizam cachimbos artesanais para aspirar o vapor da queima das pedras _ ato popularmente conhecido como pipada. Como o pulmão é um órgão repleto de vasos sanguíneos, facilita a absorção instantânea do crack.

A droga atua no sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, responsável pela sensação de prazer. Por isso, a fissura, ou vontade de consumir, é avassaladora. O dependente faz do crack a razão de vida e perde noções de moral e afetividade. Não é possível prever quanto tempo um dependente viverá se não largar a droga, mas há casos de pessoas que usaram a droga continuamente e em três dias morreram de ataque cardíaco ou derrame cerebral. 

- O crack é o principal causador de infarto em pessoas com menos de 40 anos - revela o psiquiatra e especialista em dependência química, Juliano Fonseca Tonello.

Além disso, é comum que dependentes sejam contaminados pelo vírus da Aids ou hepatite B e C. Isso ocorre porque o vapor causa ferimentos na boca e garganta, e os viciados dividem os cachimbos ou praticam sexo sem proteção. Muitas mulheres entram na prostituição para conseguir o crack.

JORNAL DE SANTA CATARINA

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