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Crack, nem pensar

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Categoria: Efeitos da droga(20 perguntas e respostas)
 

Bom, minha pergunta é bem objetiva: como poderei perceber se meu filho é usuário? Ele tem 15 anos. Qual é a caracteristica principal, aquela que torna claro que a pessoa é usuária de drogas? E como falar sobre drogas sem acabar estimulando o adolescente a assim, usar a droga? Desde já agradeço.

Enviado em 01/08/2009 às 21h42
por Crisitane , 48 - Florianopolis (SC)
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Dra. Irma Rossa
 

Cara Crisitane, infelizmente não há uma característica especifica, mas há muitos sinais, sobretudo aqueles ligados ao comportamento. Observe com atenção se seu filho está se vestindo de forma diferente, se responde de forma evasiva ou com mentiras, se alterna períodos de depressão com euforia, se pede mais dinheiro que o habitual, se mudou suas fontes de interesse ou se o seu desempenho na escola caiu. Estar atento ao que acontece com os filhos, acompanhar sua vida e estar presente é a melhor forma de evitar o envolvimento com as drogas. O assunto drogas deve permear o dia a dia. Aproveite as notícias da mídia para perguntar o que ele pensa a respeito, e corrija as fantasias de glamour, de uso sem risco, de controle. Mostre exemplo de carreiras arruinadas e de mortes precoces. Aponte fontes de prazer e possibilidades de realização dos sonhos. Sempre que tiver oportunidade, traga o tema para a conversa, mas fique atenta para não falar só do que acontece de ruim com o uso de drogas. O prazer produzido por elas deve ser comentado, mostrando, porém, o alto custo que se paga por isto.

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Fui usuária durante um ano e meio. Cheguei ao fundo do poço, até que veio a gravidez. Parei quando estava com dois meses. Gostaria de saber que risco meu filho corre. Hoje ele está com 5 anos, é forte, saudável, esperto. Seu único problema de saúde é a asma, mas tenho medo que no futuro ele possa ter mais problemas. Por mais viciada que eu tenha sido, hoje vejo que fui abençoada por Deus, pois para mim foi relativamente fácil largar o crack. Não precisei de clínicas, remédios. Simplesmente tive força de vontade e muito amor pela filha que, na época, tinha 5 anos, e pelo meu filho que estava na minha barriga. Desde já agradeço se vocês puderem tirar essa minha dúvida.

Enviado em 22/06/2009 às 15h14
por *sol*, 28 - porto alegre (RS)
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Dra. Irma Rossa
 

*sol*, que bom ter a tua história publicada, pois é importante que as pessoas percebam que é possível mudar a trajetória de sua vida. Teu filho já tem mostrado a saúde que tem. Não fique culpada pelo teu passado, trate de fazer o teu melhor no presente. Existe porém uma possibilidade maior dos teus filhos (e não só o mais novo) se tornarem dependentes de drogas. A noticia boa é que com esta informação nas mãos, tens como fazer a prevenção. Tenha sempre o controle da vida deles, acompanhe seus passos de perto, e, no inicio da adolescência converse sobre a vulnerabilidade deles. Oriente dos riscos maiores que eles têm e observe atentamente suas amizades. Não aceite sequer a experimentação, seja de álcool, cigarro ou qualquer outra droga. Os pais devem ter posições claras neste assunto, e não devem ter medo de ser firmes e assertivos. Em todos os anos que trabalho com estes pacientes, nunca vi uma mãe "durona". Ser uma mãe que controla, proíbe e faz com que os filhos respeitem as regras pode ser um fator de proteção contra as drogas.

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Eu gostaria de saber qual o efeito que o crack tem em relação a uma gestante, as causas que essa droga causa no organismo dela e ao seu feto e se esse crack maldito interfere na amamentação do bebe recém-nascido.

Enviado em 22/06/2009 às 15h08
por Dyéssica Vasconcelos, 17 - Porto Alegre (RS)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

O uso de drogas lícitas ou ilícitas durante a gestação é, na verdade, um marcador de que algo não está bem com esta mulher e possivelmente com sua família. Idealmente, objetivando o melhor desenvolvimento do bebê e a saúde da mãe, a mulher que planeja uma gestação deveria abster-se de qualquer substância, em qualquer quantidade, que possa causar danos ao feto. O cigarro, o álcool, a maconha, a cocaína (ou o crack), alguns medicamentos, agrotóxicos e muitas outras substâncias químicas podem alterar o desenvolvimento normal do bebê. Os efeitos podem ser observados na gestação, ao nascimento ou a longo prazo, inclusive na vida adulta. O uso do crack por uma gestante na maioria das vezes está associado ao uso das outras drogas lícitas e ilícitas citadas, à doenças como a má nutrição da mãe, à doenças mentais e à infecções, então os efeitos são cumulativos... Além disso, há a violência, a falta de procura por cuidados médicos (em muitos casos, a ausência de recursos), a ausência de estrutura familiar. Tudo isso afeta a saúde da mãe e do feto. A gestante pode apresentar abortamento ou morte fetal, hipertensão, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e sangramentos que podem colocar em risco sua vida. Os bebês expostos podem apresentar malformações cerebrais, renais e cardiovasculares, mas o que mais se observa são alterações no exame neurológico e no comportamento do recém-nascido, como irritabilidade excessiva, aumento do tono muscular, dificuldade de consolo, dificuldade de coordenar os ciclos de sono e alerta, dificuldades de sucção e deglutição, além de sinais de stress ou abstinência. Estes últimos vão desde a evitação do olhar, o choro agudo, tremores, soluços excessivos, a crises convulsivas e alterações do ritmo cardíaco. Esses sintomas influenciam na capacidade de comunicação do bebê. São bebês com dificuldade de regulação, e mães muitas vezes com os mesmos sintomas psíquicos, isto é, eles formam uma dupla vulnerável para inúmeros problemas no vínculo mãe-bebê. Então, tanto o efeito direto da droga, como as primeiras relações que o bebê e a mãe estabelecem, influenciam o futuro desta criança. Em geral, os sintomas descritos, muitas vezes sutis, sinalizam problemas escolares, afetivos e familiares no futuro. Em relação à amamentação, esta está totalmente contraindicada se a mãe estiver em uso de cocaína ou crack, pois há risco de alterações neurológicas e cardíacas no bebê, entre outras. O ideal é que a mãe receba tratamento mais precocemente possível. Se o tratamento inicia somente após o nascimento do bebê, e há abstinência certa, a amamentação pode e deve ser liberada, por todos os benefícios potenciais que ela pode trazer para esta dupla, tão frágil. Dra. Gabrielle Bocchese da Cunha

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Em pesquisas que fiz, uma em especial me chamou a atenção: dizia, em certo trecho, que usuários de crack relataram que com o uso da maconha tiveram o impulso para consumir a pedra sensivelmente diminuídos, em alguns casos, suprimidos. Até onde isso é verdade? O uso da maconha pode influenciar no consumo do crack?

Enviado em 23/06/2009 às 09h08
por edgard vergara borges, 55 - porto alegre (RS)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

Não conheço nenhum relato científico sobre o uso de maconha para diminuir o uso de crack. A maconha é uma droga tranquilizante e compreendo o conceito de "tranquilizar-se" e diminuir o impulso para recair. Entretanto, não é um medicamento, e muito menos uma droga sem problemas pelo seu uso. Se o paciente necessita de um tranquilizante para diminuir o impulso sobre a recaída, o médico pode prescrever um medicamento mais apropriado, legal, feito em laboratório farmacêutico certificado, e com melhor controle de seu efeito. Dr. Flavio Pechansky

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Quais os exames que indicam o uso do crack em adolescentes? E até quanto tempo o efeito da droga permanece no organismo para que o exame consiga detectá-lo?

Enviado em 31/07/2009 às 20h15
por Mônica, 44 - rio de janeiro (RJ)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

Não há exames específicos para uso de crack, mas sim para cocaína (o crack é um derivado da cocaína). E não existem exames específicos para adolescentes. Os exames de urina, sangue ou saliva podem dar resultados positivos referentes a dias (menos de uma semana sempre), pois a droga é rapidamente metabolizada no organismo. Não se recomenda a utilização de exames para confirmar a presença de droga sem que eles sejam parte de um tratamento médico. Dr. Flavio Pechansky

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Tenho amigos que fumam. Na hora, não sei o que é. Pelo cheiro, tiro minhas dúvidas. Tem gente perto de mim que fuma vários tipos de drogas, mas isso nunca me atraiu. Não sei se é por que meus pais me alertam, ou se tenho asma e não posso com fumaça. Sei lá. Mas minha dúvida é: o crack vicia no cheiro?

Enviado em 21/06/2009 às 22h45
por victor, 13 - porto alegre (RS)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

A dependência tem múltiplas causas como genéticas e psico-sociais. Pelas diferenças entre os seres humanos, uns se tornam dependentes e outros não. A estrutura familiar onde há o acompanhamento afetivo dos filhos, assim como orientação, como disseste que teus pais fazem, é um importante fator, que muitas vezes, impede os filhos, que mesmo tendo amigos e colegas usuários, de se tornarem dependentes de substâncias psicoativas, pois buscam outros meios saudáveis de prazer.
Quanto ao cheiro do crack, ainda não há estudos comprovando que somente o cheiro possa desencadear algum tipo de dependência, mas, de qualquer forma, o ideal é evitar ambientes onde ele é usado e as pessoas que o utilizam, para que ninguém possa induzi-lo a experimentar. Abraços, Dr. Felix Kessler

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Descobri que meu marido é usuário de crack há dois meses. Ele tinha emagrecido 20 quilos em pouco tempo. Está aceitando ajuda, mas não quis se internar. Ele já voltou a seu peso normal. Mas tenho certeza que ele continua usando em menor quantidade. Ele tem muita diarréia. A diarréia é uma consequência do uso do crack? Como saber se ele continua usando? Existe algo aparente que podemos observar?

Enviado em 07/07/2009 às 14h20
por carol, 20 - são lourenço (MG)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

Não é tão incomum que o uso de drogas estimulantes, como o crack e a cocaína na forma inalada, acelerarem os movimentos intestinais, inclusive durante fissuras mais fortes. Se ele está aceitando ajuda, não hesite, procure profissionais e locais que possam ajudá-lo. Eles terão mais condições de verificar se a diarréia é ou não conseqüência do uso.
Para saber se ele está usando um bom indicativo são os hábitos e as atitudes diferentes dos habituais. Infelizmente, não há uma forma simples de detectarmos o uso de drogas que não seja através do exame toxicológico e do monitoramento do comportamento do usuário.
Abraços, Dr. Felix Kessler

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Como o crack pode matar uma pessoa? E por que, depois de viciadas, as pessoas começam a fazer coisas absurdas como roubar a própria casa?

Enviado em 15/06/2009 às 21h29
por vic, 16 - porto alegre
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

As duas principais causas de morte associadas ao crack na literatura científica são o homicídio e a AIDS. Contudo, o uso excessivo de crack tem potencial para matar uma pessoa, pois eleva a temperatura corporal assim como pode desencadear arritimias e acidentes vasculares cerebrais. Provoca em alguns indivíduos a degeneração dos músculos do corpo (Rabdomiólise), transformando a aparência esquelética ao indivíduo: ossos da face salientes, os braços e as pernas ficam finos e as costelas aparentes.
Como o uso, muitas vezes, é comum que a pessoa pouco se alimente, ficando debilitada, física e emocionalmente, o que pode trazer conseqüências e graves complicações orgânicas. Geralmente um usuário de crack, após algum tempo de uso, utiliza a droga apenas para fugir da sensação de desconforto causado pela abstinência e outros desconfortos comuns a outras drogas estimulantes como depressão, ansiedade, porém com uma carga maior de agressividade.
O uso do crack e sua potente dependência, em muitos casos, leva o usuário à prática de pequenos crimes para suprir sua intensa necessidade de usá-la novamente, a compulsão. Nesses casos, não é raro que os dependentes vendam objetos pessoais e da família. Já existem alguns estudos que relacionam a entrada do crack com o aumento da criminalidade e furtos praticados por jovens, assim como também um aumento da troca de sexo por droga com a finalidade de manter o vício; em ambos os sexos.
Abraços,
Dr. Felix Kessler

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Sabe-se que o crack é um dos responsáveis pela violência urbana. É comum, ao passearmos pelos parques de Porto Alegre, vermos jovens usando a droga. Que tipo de risco eles representam aos passantes: o crack deixa a pessoa agressiva? E como proceder, devo avisar as autoridades? Obrigada e parabéns pela ação.

Enviado em 15/06/2009 às 13h32
por Ariela Soares, 17 - Porto Alegre (RS)
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Marcelo Dornelles
 

Conforme informações de profissionais da área da saúde, os usuários de crack podem tornar-se agressivos ou violentos, mas não seria uma regra. Quanto a como proceder, devem ser alertadas as autoridades policiais que atuam próximo aos locais onde é visto o consumo, para que o trabalho de repressão seja mais eficiente.

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Gostaria de saber como age o crack em uma pessoa de 45 anos, fumante e alcoolista. Muito se fala em adolescente e jovem adulto. Qual o complicador e prognóstico neste perfil (queria saber quais efeitos cardíacos, emocional e também para ereção e libido) Obrigada. Mari

Enviado em 14/06/2009 às 18h21
por mari, 32 - porto alegre (RS)
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Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas
 

Cara Mari. Os prejuízos do crack dependem muito do organismo da pessoa. É comum que o usuário de crack seja também usuário de álcool e cigarro, e essa associação é mais prejudicial para a saúde do que o uso de crack somente, pois os danos são incrementados. O envolvimento com o crack e o prazer imediato que este proporciona fazem com que o indivíduo perca a vontade de buscar prazer com outras atividades e opções de lazer, incluindo trabalho, contato com amigos, família e relações sexuais (há diminuição da libido). O isolamento social e problemas psiquiátricos agravados pelo crack, como a depressão, prejudicam emocionalmente o usuário, que se sente cada vez menos interessado e apto a manter seus relacionamentos. Em relação aos prejuízos cardíacos, o crack faz com que ocorra uma contração dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão e pode debilitar o coração e até ocasionar um infarto. A possível dificuldade de ereção de um usuário de crack também está relacionada a essa contração, que diminui o calibre das artérias, já que, para ficar ereto, o pênis precisa receber adequado fluxo de sangue. Um abraço, Sibele Faller.

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