Envie sua pergunta sobre o crack.
Sou dependente químico. Estou na ativa. Já fui internado duas vezes esse ano. O que faço? Estou perdendo tudo.
Enviado em 17/06/2009 às 16h34Busque tratamento e orientações em lugares adequados e com profissionais capacitados para a recuperação de dependentes químicos. A vontade de abandonar o vício e o se dar conta de que está perdendo tudo já é um passo muito importante para iniciar um tratamento e você está mostrando isso. Não demore, procure ajuda que você consegue. Sabe-se que para dependências químicas graves a intensidade e a freqüência do tratamento são muito importantes, ou seja, quanto mais reuniões e atividades terapêuticas você participar, maior a sua chance. Invista no tratamento, na família e em atividades saudáveis com muita dedicação, paciência e persistência, pois assim conseguirá se recuperar.
Abraços, Dr. Felix Kessler
Acompanhei minha esposa por alguns meses usando crack. Felizmente não tenho feito uso desta droga há mais de três meses. Gostaria de saber se a ansiedade que causa a lembrança desta droga vai me acompanhar por toda vida ou eu posso regenerar meu cérebro e eliminar esta presença.
Enviado em 15/06/2009 às 22h51Realmente, o crack é uma droga com um potencial de causar dependência muito grande, ocorrendo uma intensa estimulação de regiões do cérebro responsáveis pelo armazenamento de informações (memória). Essas informações são gravadas quimicamente e, às vezes, levam anos para desaparecerem. O usuário, para afastar a ansiedade e a fissura que a lembrança da droga pode causar, pode se utilizar de técnicas cognitivo-comportamentais, como o desvio do foco da atenção para atividades mais saudáveis ou pessoas. Além disso, deve se modificar a sua rotina, ativando outras memórias. Inicialmente, precisa se afastar dos locais de uso, amigos usuários e refazer seus hábitos, como, por exemplo, procurar atividades físicas, ocupando seu tempo ocioso. A participação em grupos de auto-ajuda e outras psicoterapias pode reforçar memórias que o ajudarão a evitar novas recaídas.
Abraços, Dr. Felix Kessler
Meu enteado nunca havia consumido drogas. Era muito tímido, com problemas de socialização. Começou a frequentar baladas com amigos e familiares, entrou na universidade e, para se enturmar, começou a fumar cigarros. Ele parava de fumar por alguns períodos, e depois voltava. Começou também a beber. Ficou embrigado umas quatro ou cinco vezes. Num contato frustrado com uma namorada, buscou uma prostituta. Esta levou-o a uma boca de crack, onde somente esta primeira vez fumou entre quatro e oito pedras. Também bebeu vodka, vinho, cerveja e foi resgatado do local ainda com sintomas. Foi internado. Pergunta: pode retornar a procurar o crack? Ele não chegou a ter crise de abstinência. Para uma pessoa com aids, os efeitos do crack são piores? Agradeço a atenção..
Enviado em 15/06/2009 às 18h54Will, vamos por parte. Na adolescência e início da idade adulta, muitas pessoas cometem excessos. O motiva varia. Pode ser a timidez, a tentativa de se "enturmar", a fantasia de onipotência, a ânsia pelo novo, a ideia de rebeldia, entre outros fatores. Os estudos apontam que estes comportamentos, ditos de risco, se devem a alterações no cérebro em desenvolvimento. Comprovadamente, há nesta fase da vida uma incapacidade de avaliar riscos, o que prejudica a tomada de decisão. Cabe aos adultos funcionarem como o controlador, impedindo que escolham correr riscos desnecessários. Não sei como lidaram com o uso do cigarro, mas já aí a atitude teria que ser muito firme para mostrar claramente a não tolerância por outras drogas. Mas não dá para chorar o leite derramado, portanto, vamos em frente e, depois desta situação tão dramática, é de supor que haja mais atenção tanto da família como dele próprio. Quanto à pergunta sobre a vulnerabilidade de quem tem AIDS em relação ao uso de crack: quem tem esta doença já está com seu sistema imunológico comprometido, muitas vezes já perdeu peso, tem dificuldade para alimentar-se por causa da medicação. Qualquer uso de drogas será muito prejudicial, e o crack, então NEM PENSAR....
Boa noite. Sou irmã de um usuário de crack há quatro anos. Pela primeira vez, neste sábado, ele assumiu o uso e pediu ajuda. Hoje já fomos atrás de apoio, no Caps. Ele passou por uma psicóloga e um médico, que deram a ele vários remédios. Ele e a família pediram por uma desintoxicação no hospital, mas isso foi negado. O médico disse que ele fizesse o tratamento em casa, porque o hospital não tem leitos. Meu irmão pediu pela internação e, no próprio Caps, há um cartaz escrito que o usuário de drogas tem o mesmo direito à saúde que os outros - e depois esse direito lhe é negado. Onde posso procurar ajuda antes que seja tarde? Muito obrigada por tudo. Fiquem com Deus.
Enviado em 15/06/2009 às 18h24Cristina, existe a fantasia, estimulada até por profissionais extremamente competentes, de que a internação é essencial. Essa ideia mais atrapalha que ajuda o dependente químico. Estou trabalhando com usuários de drogas há mais de 25 anos, e sempre tive dificuldade de acesso à internação, o que não impediu de obter sucessos em inúmeros casos de pacientes usuários de crack. Se tens como acompanhar o teu irmão no tratamento proposto pelo médico, se podes ajudá-lo nesta fase inicial com a medicação, se te dispõe a frequentar com ele os grupos de ajuda mútua existentes na tua cidade, aposte nesta possibilidade. Teu irmão poderá ser mais um daqueles que tem êxito em tratamento ambulatorial. Abraços,
Meu namorado tem 23 anos. Ele usava cocaína e maconha, mas experimentou o crack e, desde então, tem sido um inferno. Ele fica às vezes até um mês sem usar, mas sempre recai. Agora da última vez, ficou oito dias desaparecido, e nós sem sabermos o que fazer. Queria muito ajudá-lo. Ele diz que não quer mais usar, mas não quer se internar. Ele acha que pode conseguir sozinho, mas sei que não é verdade. Não é a primeira vez que ele recai, e sei que não será a última. O que posso fazer para ajudá-lo?
Enviado em 14/06/2009 às 19h00Cara Namorada Desesperada, entendo teu desespero e dor. O processo de tratamento da dependência química é doloroso e implica tolerar o sofrimento. Mas todos nós temos um limite. No teu caso, vale a pergunta: qual é o teu limite? Não estarás vivendo um drama que não é teu? Não seria o caso de cuidar de ti, inicialmente? Ainda não classificado no código internacional de doenças, mas certamente já identificada por todos que lidam com dependentes químicos é o fenômeno da co-dependencia. Robin Norwood escreveu um livro há mais de duas décadas, mas serve ainda como referência. Procure encontrá-lo: chama-se "Mulheres que amam demais". Provavelmente te identificarás e aprenderás muito.
Seja feliz,
Irma.
Tenho um sobrinho viciado nesta maldita droga. Ele já está pegando coisas de casa para vender. Por favor, gostaria de ajudá-lo. Não sei o que fazer, pois não temos condições de pagar uma clínica, e ele ainda não pediu ajuda para a família. Nos ajude a dar o primeiro passo. A família fica perdida, sem saber o que fazer. Obrigada.
Enviado em 14/06/2009 às 16h58Cara Ana, conviver com alguém que está se destruindo e perdendo a noção do certo e errado é realmente muito difícil. Ao mesmo tempo que queremos ajudar, ficamos com muita raiva. Isto gera culpa, e a culpa nos leva a agir de forma benevolente, formando-se um circulo vicioso de problemática resolução. Dizes que teu sobrinho ainda não pediu ajuda à família. Tenho dito aos familiares de pacientes que não concordo com o dito: pode-se levar o cavalo à beira do rio, mas não pode-se fazer que beba água. Se deixarmos o cavalo sem beber água por vários dias e dermos a ele uma ração bem salgada, duvido que não beba. O que quero dizer é que temos que de alguma forma mostrar o nosso descontentamento. Um dos jeitos é fazer com que a pessoa perca seus privilégios. Conhecer a doença é uma ferramenta importante. Procurem grupos para obter informações.
Um dos locais que podes pedir ajuda aí em tua cidade é no CAPS AD * CONTINENTE que fica na RUA JOSÉ CÃNDIDO SILVA, 125 - BAIRRO ESTREITO e cujo telefone e e-mail estão abaixo:
FONE: 32405472
E-MAIL: caps-ad@pmf.sc.gov.br.
Não percam as esperanças, mas não sejam tolerantes. Abraços,
Por que existe tanta diferença entre os serviços de saúde pública e privado nos métodos de tratamento de vítimas do crack? Só pela remuneração dos profissionais? Estrutura? Poder aquisivo? Posição social? O crack e os traficantes não selecionam usuários: fazem vítimas em toda a sociedade!
Enviado em 10/06/2009 às 07h01Os métodos são os mesmos e são aplicados por profissionais com formação na área de saúde mental. O que os diferencia é a forma de acesso aos serviços. A rede pública que atende gratuitamente a maior parte da população através do SUS tem aporte técnico qualificado para responder as demandas de álcool e outras drogas. No entanto, apresenta grande dificuldade para o enfrentamento do crack, por fatores como:
- ser uma droga nova, de enorme potencial de criar dependência e que demanda um período de tratamento especializado e mais prolongado.
- exige ações de mobilização, criação e oferecimento de novos números de leitos para tratamento e reinserção social;
- capacitação para os profissionais da área de saúde (Unidades Básicas de Saúde e Programas de Saúde da Família, que são a porta de entrada dos usuários aos demais serviços de saúde) na detecção do consumo de drogas e encaminhamento aos serviços correspondentes;
- necessidade de acompanhamento social tanto para o dependente químico quanto para sua família, pois nos casos de tratamentos bem sucedidos, uma família presente e continente tem fundamental papel.
Já a rede privada, excetuando-se a Capital, oferece gama de opções, desde unidades de dependência química em alguns hospitais dos municípios, clínicas especializadas a comunidades terapêuticas. Algumas por valores considerados altos, outras mais acessíveis. O que deve ser ressaltado, é que pelo fato de o serviço ser pago nem sempre garante um atendimento de qualidade, efetivo, e ancorado na legislação vigente (reforma psiquiátrica e de saúde mental).
Por exemplo, existe a informação que em algumas comunidades terapêuticas não há profissionais técnicos da área de saúde mental (médicos clínicos e psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais etc.) para acompanhamento dos dependentes químicos. Ainda que os especialistas da área afirmem que o tratamento para o crack exige um aprofundamento no tema e uma equipe multidisciplinar.
Qual o custo para a reabilitação de um usuário de crack para a administração pública?
Enviado em 12/06/2009 às 13h29Ficaria praticamente impossível mensurar, pois não temos (AMP-RS) acesso aos recursos destinados a tratamento e reinserção social (hospitalar, ambulatorial via Sistema Únicos de Saúde - SUS ou através de convênios com clínicas e comunidades terapêuticas) pelas secretarias municipais de Saúde ou Secretaria Estadual de Saúde. Os governos do Estado e dos Municípios têm orçamento e destino próprio para a política de saúde mental.
Gostaria de saber se uma pessoa consegue sair do crack sem se internar, apenas com ajuda familiar e de um médico. A pessoa quer sair, está indo ao médico, faz 8 dias que não usa nada. No começo, ficou meio ansioso, mas agora se recupera bem. Gostaria de saber se precisa internar para que consiga sair dessa.
Enviado em 29/06/2009 às 17h24July, aonde trabalho não contamos com internação e temos inúmeros casos de sucesso. O que faz a diferençá é a dedicação ao tratamento e o desejo de mudança. Lembra-te que o apoio dos familiares é muito importante. Um abraço, Dra Irma.
Gostaria de saber se existem clínicas que aceitam a internação por plano de saúde. Como poderia entrar em contato com eles? Tenho um filho viciado em crack e necessito muito de ajuda para interná-lo, não só para desintoxicar, mas sim para recuperação. Já o internei para desintoxicação, mas isso não ajuda muito. Eles sempre acabam caindo novamente. Se puderem me ajudar, desde já agradeço.
Enviado em 09/06/2009 às 21h21Cara Renate. O desgaste da família fazendo sucessivas internações sem um resultado aparente é difícil de tolerar. Entender o processo pelo qual o dependente passa ajuda a minimizar a culpa e a raiva. A cada tentativa de abster-se da droga, o usuário aprende alguma coisa, e vai fazendo uma base para, em determinado momento (que varia de pessoa para pessoa), tomar a decisão de parar de usar drogas pra valer. É importante o apoio dos familiares, mas este apoio deve ser qualificado por informações que podem ser obtidas em grupos de ajuda mútua, como Amor Exigente ou Al-Anon. Quanto às clínicas: a maioria delas têm sites que podem ser acessados, e certamente encontrarás alguma que se adeque às tuas possibilidades. Um abraço, Dra. Irma
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