Crack nem pensar | 11/12/2010 00h32min
Um ano e oito meses depois de matar o filho usuário de crack, a aposentada Flávia Costa Hahn, 62 anos, foi absolvida pela Justiça.
A audiência ocorreu na tarde de quinta-feira na 2ª Vara do Júri do Foro Central de Porto Alegre. Conforme o juiz Felipe Keunecke de Oliveira, não restou dúvidas de que a mãe agiu em legítima defesa dela e do marido ao atirar contra Tobias Lee Manfred Hahn, 24 anos.
— Ficou demonstrado que o filho, em função de episódios com o crack, tinha atitudes extremamente violentas com ela e com os vizinhos. Além disso, na data do fato agiu agressivamente contra ela. A única maneira que ela tinha para se defender, em função da disparidade de forças, era, infelizmente, ter matado o filho. Inclusive, foi um tiro só, o que demonstra atitude defensiva dela — explicou Oliveira.
Flávia ficou bastante nervosa durante o interregatório e acabou sendo poupada pelo juiz. A tendência é de que o caso seja arquivado nos próximos dias.
Não foi só durante a audiência que a aposentada Flávia Costa Hahn esteve nervosa. Ainda nesta sexta-feira, quando concedeu entrevista, por telefone, a Zero Hora, a mulher ainda se dizia muito abalada e afirmou que a dor de ter perdido o filho continuará para sempre com ela. Católica, a aposentada diz que encontrou em Deus o apoio para suportar o vazio de ter perdido o filho único.
Leia a entrevista completa com a aposentada na edição de sábado de Zero Hora.
Entenda o caso:
— No dia 12 de abril de 2009 — um domingo de Páscoa — Flávia acertou Tobias com um tiro no pescoço. O crime ocorreu na casa da família localizada no bairro Tristeza, na Zona Sul.
— Na reconstituição do crime, Flávia e o marido Manfred Oto Hugo Hahn, alemão radicado no Brasil, contaram como foi a morte. Manfred é colecionador de armas e andava com o revólver calibre 44 na cintura, temendo assaltos.
— Antes do almoço, o aposentado guardou a arma num armário próximo à mesa onde seria servido o churrasco, em um varanda à beira da piscina da casa de três pavimentos.
— Às 14h, à convite do pai, Tobias sentou-se à mesa, almoçou e chamou a mãe na cozinha. Queria que ela pedisse dinheiro a um vizinho. A mãe não o obedeceu. Tobias pegou Flávia pelos cabelos e a arrastou até o telefone, mas ela conseguiu escapar e voltou à varanda para perto do marido, a quem Tobias respeitava.
— O rapaz chamou a mãe à cozinha. Quebrou louças, empurrou a mãe sobre os cacos, girou os botões do fogão para liberar gás, pegou um isqueiro e ameaçou explodir tudo.
— Flávia fugiu para o pátio e abriu o canil soltando dois rottweilers.
— Descontrolado, com um saca-rolha nas mãos, Tobias quebrou uma janela e ameaçou matar a mãe
— Flávia pegou o revólver do marido. Disse que pensou em assustar o filho, atirando para cima.
— Quando levantou a arma, o marido tentou desarmá-la. Ao baixar as mãos de Flávia, a arma disparou, acertando o pescoço de Tobias, que morreu no local.
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