Conteúdo: cracknempensar | 23/11/2010 06h40min
Compartilhar Começo da manhã, um homem aponta uma tesoura para a passageira que espera o ônibus no ponto ao lado do shopping mais movimentado de São José, na Grande Florianópolis. Não demora muito para ele ser preso. O rapaz ia trocar a bolsa e tudo que havia dentro por crack. Dependentes desta droga são assim, perdem completamente o discernimento, afirma o Diretor Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Cláudio Monteiro.
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Especialistas são unânimes em associar o aparecimento do crack ao aumento dos indicadores de criminalidade. Monteiro ressalta que os usuários levam de tudo: tampa de bueiro, portão de alumínio e até medidor de consumo de água vão parar no ferro velho.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, a apreensão de pedras nos primeiros nove meses de 2010 já é quatro vezes maior que o total apreendido em 2009. Foram 38.996 pedras no ano passado contra 152.414 até 31 de setembro deste ano.
O delegado da Polícia Federal (PF) e palestrante Ildo Rosa diz que a imagem de droga de bolsões de pobreza foi superada. Revela que grampos da PF já flagraram traficantes de crack participando de festas nas principais casas noturnas do Estado. O número de pacientes em comunidades terapêuticas de classe média e alta vai no mesmo sentido.
É evidente a associação do crack com o crescimento do número de furtos e roubos menos elaborados, declara Alceu de Oliveira Pinto Júnior, professor de Direito Penal da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Ele diz que os crimes estão ligados à manutenção do vício. Acrescenta que a pessoa perde a capacidade de calcular os riscos.
Com uma arma na mão, o dependente se torna um perigo ainda maior para si e as vítimas de assaltos. Sem capacidade de raciocínio lógico, aumenta a chance de executar a vítima. O professor explica que isto ocorre porque o uso contínuo do crack leva a problemas psiquiátricos e acaba com a resistência ao ímpeto criminoso.
A dependência também desperta o lado mais dramático da violência, quando o vício faz os próprios familiares vítimas, diz o delegado Ildo. Ele revela que os avós são os alvos mais frequentes por serem condescendentes. Explica que durante a síndrome de abstinência do crack, o usuário passa por cima de qualquer barreira entre ele e a droga, inclusive os laços de afetividade.
O delegado ressalta que os traficantes enxergam o dependente como alguém descartável. Ildo diz que é comum acabarem assassinados. Explica que, para manter o vício, os usuários começam a vender. A vontade leva a consumirem o estoque e a dívida está criada. As alternativas são cometer delitos para saldar o débito ou pagar com sangue. Os criminosos sabem que outro aparecerá para tomar o lugar.
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