Crack nem pensar | 22/10/2010 20h26min
O seminário Crack, Nem Pensar, promovido pelo Grupo RBS em parceria com a Câmara de Vereadores de Joaçaba, reuniu cerca de 250 estudantes de 11 escolas públicas e privadas da cidade na manhã da última quarta-feira no município. Um dos tópicos abordados no encontro foi a prevenção às drogas, além da mudança de comportamento dos usuários.
O seminário teve participação do gerente executivo regional da RBS Centro-Oeste, Sérgio Cossio, do delegado regional de Polícia Civil, Ademir Tadeu de Oliveira; e do especialista em dependência química Rossano Vanchi.
O primeiro a palestrar foi o delegado de polícia. Oliveira salientou que as drogas, principalmente o crack, precisam ser encaradas como uma epidemia. Que é hoje um dos principais problemas da segurança pública.
— O crack é uma epidemia que afeta todas as classes sociais. Toda a sociedade deve pensar neste problema e precisam ser criados mais leitos hospitalares para o internamento de usuários — disse o delegado.
A opinião foi compartilhada pelo segundo palestrante, Sérgio Cossio. Para ele, o trabalho de prevenção ligado às escolas é muito importante. A proposta é fazer com que o grupo de alunos de cada escola possa, posteriormente ao seminário, atuar como multiplicador do conhecimento.
— A responsabilidade não é só da polícia. É de todos nós. O tema é complexo e temos que focar na prevenção — avaliou o gerente executivo regional da RBS Centro-Oeste.
Depois das palestras, foi realizado um fórum envolvendo um grupo composto por professores, diretores, representantes de todas as entidades envolvidas e da comunidade.
O objetivo da discussão foi traçar novas estratégias de ação de combate ao uso do crack.
Orgulho de estar limpo
Além das palestras, um usuário de drogas em tratamento também deu depoimento aos alunos. Um mecânico industrial de 33 anos que tem orgulho por estar longe do crack há 66 dias.
Só que, para ele, a batalha está apenas começando. Pela frente, mais seis meses de tratamento e o objetivo de substituir as drogas pelos sonhos.
A primeira tragada de maconha foi por curiosidade, aos 11 anos. De lá para cá, foram três internações e várias recaídas.
— A maior dificuldade é reconhecer-se usuário e admitir que precisa de ajuda. Eu não cheguei a roubar. Trabalhava e sustentava o meu vício. Mas, por conta disso, deixava faltar coisas para a minha família — disse o mecânico, que pretende em breve voltar ao trabalho.
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