Conteúdo: cracknempensar | 24/11/2009 15h04min
Um mapa elaborado pela Brigada Militar para combater o tráfico no centro de Porto Alegre está servindo também na luta contra outros crimes.
Para a BM, são crimes como furto, punga, roubo de celular, furto em veículo e estelionato que fomentam a venda de drogas na área central.
– Roubar uma corrente, uma carteira e um celular é mais fácil no Centro. E é mais fácil ainda revender o objeto. Um celular roubado, vendido a R$ 30, acaba virando seis pedras de crack logo depois – explica o capitão Vaine da Silva Junior, da 1ª Cia do 9º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento da região.
Diariamente, 400 mil pessoas circulam pelas ruas do Centro. Faltando um mês para o Natal, com o 13º salário no bolso, a expectativa da BM é de o número quase dobre. A maior parte, em busca do comércio variado, de agências bancárias, serviços públicos e turismo. Isso atrai também um grande contigente de bandidos. Para alertar a população e, com isso, ajudar
no combate aos criminosos, a BM
divulgou um mapa dos crimes na região.
– Não queremos causar pânico. As pessoas devem vir ao Centro, mas precisam saber o que está acontecendo para que tomem cuidados e, com isso, nos ajudem – explica o subcomandante do 9º BPM, major André Woloszyn.
Cuidados com documentos, bolsas e pastas, dinheiro, no jeito de caminhar com sacolas podem evitar roubos e furtos. Se o número desses crimes diminuir, isso influenciará diretamente na venda de drogas.
Ao elaborar o estudo, os PMs notaram que o perfil dos clientes das bocas de fumo varia conforme o crime que praticam. Na Praça da Alfândega, por exemplo, na qual são registrados muitos casos de furto, o dinheiro logo é repassado aos traficantes em pagamento por pedras. Já na Vila dos Papeleiros, o perfil do usuário é diferente: a maioria é morador de rua.
– Antes, os criminosos moravam em bairros afastados ou em outras cidades. Agora, ficam no Centro, pernoitando em hotéis em que a
diária custa até R$ 15. Ali, naquele hotel, já tem
um traficante que fornece as pedras de crack – explica o capitão.
Traficantes usam a “tática do lagarto”
Os traficantes que agem no Centro adotaram uma nova tática para escapar dos flagrantes. Passaram a transportar as pedras de crack não mais nos bolsos, bonés, meias e tênis. Agora, escondem a droga na boca.
– Quando abordamos, eles engolem ou cospem as pedras – conta Woloszyn.
Apelidados de traficantes-lagartos, eles cospem as pedras quando vão entregá-las para um cliente ou quando percebem a chegada da BM. Quem vende fica com três pedras na boca. Quando a droga termina, ele vai até outro traficante e pega mais uma porção de crack.
– Assim, se ele for pego, vai argumentar que é para uso, e não será preso. E o traficante, que fica com o dinheiro, dificilmente será pego, pois fica longe, alheio ao trabalho do “funcionário” – explica Vaine.
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