Crack nem pensar | 24/06/2009 02h52min
Enquanto o spray forma a frase Crack, Nem Pensar, o grafiteiro Ádamo Cardoso, 20 anos, tem em mente o drama familiar que enfrenta por causa da droga. Chamado por uma escola para fixar em uma parede o alerta contra o crack, ele se aliou ontem à campanha que pretende evitar que mais jovens caiam na dependência.
Morador de Porto Alegre, Ádamo perdeu a irmã após uma overdose de cocaína. O filho dela, hoje com 16 anos, está internado pela terceira vez em uma clínica na tentativa de se livrar da dependência do crack.
– Quando minha irmã morreu, passamos a criar meu sobrinho, por isso o chamo de irmão. Estamos juntando forças para enfrentar isso. Com o grafite, participo de uma caminhada bacana contra o crack, conscientizando a gurizada – afirma o grafiteiro, cercado por alunos do Colégio Cenecista Nossa Senhora dos Anjos (Gensa), de Gravataí.
Feita com o apoio do colega Lucas Machado, a pintura da parede com o slogan da campanha do Grupo RBS é
mais uma etapa do Projeto A Pedra da Morte,
desenvolvido pela instituição que abrange todos os níveis de ensino, da educação infantil à pós-graduação, passando pelo Ensino Superior. Os estudantes pesquisaram sobre o crack e passarão a publicar as descobertas em um blog a partir desta semana.
– O crack é barato e perigoso, mesmo assim as pessoas experimentam e veem que não tem volta. Me surpreendeu saber de casos como a mãe que matou o filho que usava crack e as pessoas que vendem móveis da própria casa para comprar a droga – conta a aluna Pâmela Ruzicki Timm, 15 anos.
Para divulgar o blog, os alunos prometem disparar e-mails para extensas listas de contatos. Os próximos passos da campanha do Gensa são a confecção de camisetas com o logotipo da campanha e a impressão de panfletos sobre os riscos da droga. A ideia é realizar “pedágios” no trânsito, para distribuir o material.
As primeiras intervenções, porém, serão feitas dentro da escola. Alunos da 8ª série percorrerão as salas de aula para
informar sobre os prejuízos do uso de
crack e outras drogas. De acordo com o professor de química Jair Alberto Nogueira, coordenador das atividades, é papel da escola alertar os jovens e promover a abertura de espaços para a discussão de problemas.
– O crack é uma preocupação de todos na escola. Com esse apelo visual, nossa ideia é chamar a atenção dos alunos e prepará-los para que não sejam levados nesse caminho – explica a diretora do complexo Gensa/Facensa, Eunice Carolina Ohlweiler de Oliveira.
Saiba mais sobre o crack e como buscar ajuda.
Grafiteiro, Ádamo Cardoso, 20 anos, conviveu com a morte da irmã e luta contra a dependência do sobrinho ao crack
Foto:
Tadeu Vilani
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